terça-feira, 20 de setembro de 2011

Tá valendo quanto?

O fim do ano se aproxima e com ele muitas coisas. Você começa a parar pra pensar em como foi tudo, como você está e se realmente valeu a pena.


E porque eu estou falando nisso? 


Nós nos acostumamos a avaliar se nossos objetivos, sonhos e metas para aquele determinado período de tempo foram cumpridos.


Em meio a tantas coisas a gente se esquece de perguntar: E eu? Quem sou eu em meio a tanta coisa?


Vivemos num tempo em que os dias, as horas, os minutos e os segundos passam correndo. A gente voa contra o tempo para conseguir dar conta de tudo, dar conta das responsabilidades, dos problemas, do trabalho, da casa, dos estudos, dos compromissos sociais, dos amigos e até mesmo do descanso. A gente desaprendeu a pisar no freio, não sabe mais parar e simplesmente relaxar. O "tempo que nos sobra" nos enchemos de coisa, mesmo que o compromisso seja descansar, a gente não sabe mais como fazer isso e acaba ficando pensando: o que vou fazer com esse tempo? Como vou descansar?




O tempo é uma medida que pode ser devastadora. Traz rugas, marcas de expressão, canseira, idade e várias outras coisas que podem ser desagradáveis. Mas o que causou tudo isso? Morrer de tanto rir? Experiências ricas? Cansaço de tanto fazer coisas boas? Doença pra morrer de amor? O tempo e suas marcas são o que você faz deles.


No fim do ano, até as empresas, privadas ou públicas, costumam fazer sua avaliação. Aquela institucional, sobre seu rendimento no trabalho, suas ações, seu comportamento, sua criatividade. Me pergunto: É possível se medir quem somos? É possível medir sua capacidade? Será que esse tipo de coisa não quantifica gente de carne e osso? Gente pode ser quantificada? E a grande pergunta é: Quanto você vale?


Cada um tem o direito de ter uma opinião sobre você, seu trabalho, sua maneira de ser, mas e quanto a sua opinião sobre você mesmo? A vida não é feita de outros, é feita de você em conjunto com outros. Quantas vozes ecoam na sua cabeça?


O seu valor é muito maior do que os 100% de qualquer avaliação ou de qualquer opinião de qualquer pessoa. 


Gente de carne e osso é muito mais complexo do que números, mais difícil de entender, mais cheio de facetas do que qualquer diamante e mais subjetivo do que qualquer texto de Sartre, Morin ou qualquer outro filósofo, psicólogo ou que doutor for. Até pra dirigir você faz exames quantitativos.


O hábito de ser avaliado, julgado, já se tornou realmente um hábito, participante da modernidade, do mundo contemporâneo e do capitalismo selvagem.


Olhando as situações por fora, você percebe que a necessidade de resultados rápidos em tempo curtos é cada vez mais valorizado, nós somos medidos conforme reagimos como máquinas. Quanto mais você se torna um computador, mais você vale. Afinal, o prazo é curto, a solução é pra ontem e o amanhã? Ahhh... esse eu nem sei se vai chegar ou se o infarto vem antes!

Eu realmente não sei como estão as coisas com você, quais metas você realizou, o que deu certo, o que não deu, quanto você rendeu no seu trabalho e se você deu conta da sua vida particular em meio a esse turbilhão de coisas, mas eu sei que não há medida, régua ou qualquer outra coisa que meça o quanto você vale e o quanto eu valho.


A vida é feito de momentos e não de números. Não importa a quantidade deles, mas sim a qualidade e a sensação que cada um deles te deu. Não desperdice, pois eles não voltam. Não deixem que passem, pois não se repetem e não se exima de cada doce e amargo momento da vida, eles fazem parte de quem você é e de quanto você vale.


Se precisar seguir: siga. Se for necessário voltar: volte. Se ainda precisar recomeçar: vá correndo! Você vale mais do que qualquer intempérie e o tempo? Ele passa e como passa! 


terça-feira, 13 de setembro de 2011

O pão nosso de cada dia

...nos dai hoje.

Todos os dias pela manhã faço uma oração com meus alunos e resolvi ensiná-los a oração do Pai Nosso. É rápido pra que ela se torne mais algo decorado, religioso. E em meio a tantas coisas que em nosso dia já decoramos, a tantos problemas, enfim, tanta coisa na cabeça o tempo todo se torne realmente mais uma coisa.

Incrível, porque pra mim era realmente um aglomerado de palavras que supostamente me  fazia sentir falando com Deus, já que as mesmas estavam na Bíblia e sem perceber, sem sentir tudo isso começou a ser um vazio de palavras. Enquanto as recitava a minha total atenção não era voltada ao que estava falando, sem ao menos pensar pra quem aquele amontoado de palavras era direcionado.

Um dia me dei conta, de forma brusca e até atordoante de que nada daquilo estava fazendo sentido. Pelo menos pra mim.

A frase que mais me chamou atenção "O pão nosso de cada dia nos dai hoje" fez com que me sentisse tão distante de Deus. Porque? Simples, enquanto eu pedia a Deus o pão de cada dia, eu me preocupava com os próximos dez meses e meu coração e minha mente se debatiam dentro de mim, remoendo cada palavra, cada preocupação, cada anseio, cada problema, cada dor, como se ao invés de um novo dia pra viver, como presente, eu tivesse outros trinta anos, com os quais me preocupar.

Não sei se você já se sentiu perdido, pensando em cada dia que virá e nas consequências dos que já foram, ao invés de viver o presente. Eu acho que em algum momento da jornada, todos já se sentiram assim, pelo fato de que deixar de viver o presente é sobreviver. Isso tem diferença.

Sobreviver está muito ligado ao físico, água, ar, comida... e viver conectado a alma, espírito, prazer.

Deus nos dá um presente a cada dia, não para sobreviver, mas pra viver, Ele nos dá o pão nosso de cada dia. Não guarde o pão pra amanhã, pois amanhã tem outro e não é preciso ficar procurando, quando se abre os olhos pela manhã, ele está lá, esperando. 

Me lembrei daqueles israelitas, aos quais Deus os alimentava dia após dia com o maná, vindo diretamente do céu, e a ordem era que não armazenassem daquele alimento, pois no dia seguinte teria mais e se guardassem o pão, o mesmo ficaria embolorado. Mas o povo era teimoso e muitas vezes reclamava daquela comida providenciada por Deus e tentava guardar com medo de faltar.

Será que não fazemos isso?




A gente deixa mágoas, problemas, chateações, inimizades, impressões erradas, falta de perdão, pensamentos ruins, dores da alma e muitas outras coisas embolorarem dentro da gente, virarem podridão, até que em determinado momento nós não aguentamos o nosso mal cheiro, não suportamos a nós mesmos e continuamos ali, deixando os pães se amontoarem, podres. Teimamos em não confiar que o alimento fresco, novo e pronto pra ser consumido vai chegar, ficamos preocupados com os problemas que muitas vezes ainda nem chegaram.

Deus dá a cada dia o novo, mas o velho precisa sair para que esse novo tenha espaço para entrar.

Passar a vida sobrevivendo é morrer a cada dia um pouquinho, é matar a esperança de dia melhores pra sempre e insistir que a vida é um acúmulo de infelicidade e dor.

Refletir um pouco sobre uma oração tão cotidiana muitas vezes pode revelar muitas coisas.

E acrescento: O pão nosso de cada dia nos dai hoje e nos ajude a dar espaço em nossa mesa pra ele e aceitá-lo de modo que nos vivamos e não morramos tendo em posse o pão nosso de cada dia.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Os meus 20 e poucos anos



Eles chegaram.

Estou completando 24 primaveras. Há alguns anos atrás, vivia pensando "quando eu for grande", apesar, que grande, cá entre nós, eu sempre fui! Mas, enfim, pensando, como seria ser adulta, como seria chegar aos vinte e poucos anos...

Fui uma menina falante (matraca mesmo), sempre gostei de estudar, de ouvir música e sempre amei cinema. Tenho uma ligação com essas coisas: falar, ouvir e ver. Os meus melhores sentidos.


Essa foto, foi tirada em 1988, quando completei 1 ano. Não mudei muito... Haha

Sempre fui um tanto descoordenada, lenta pra comer e com algumas manias malucas, mas sobrevivi até aqui!

Quando a gente é criança, adolescente, acha que ser adulto é o máximo... mal sabe de todos os atravancos, problemas, dores de cabeça, responsabilidades e contas pra pagar, em resumo. Perceber que a liberdade é um conceito ilusório, porque tudo, tudo, tudo tem uma consequência, um preço a pagar. Ver que o príncipe encantado não existe, mas que as bruxas... essas, eu acho que estão por ai!

Mas tem as coisas boas... você muda, seus sentimentos mudam, os gostos, as vontades e os sonhos. E se você soube aproveitar o que passou, muda para melhor. Quando você é uma criança feliz, um adolescente saudável, sua vida adulta pode ser melhor ainda. Sem traumas, neuras e demais desgraças. E isso, independe dos outros, a visão da vida é sua e a forma também. Não culpe ninguém pelas suas escolhas.

Conselhos?? Sim! Descobri, que sem os melhores conselhos das melhores pessoas, eu não me tornaria quem sou e vou continuar me tornando.


Fui ao 1° ano, com 6 anos, e a LDB nem tinha sido promulgada, mas, acho que optei em ser professora porque tive bons professores e inacreditavelmente, os livros e as aulas sempre me atraíram.

Estudei, e me decidi logo, aos 17 anos: quero ser professora e ponto final!

Não posso deixar de escrever sobre a minha família! Se não fosse a educação que tive... apanhei (era danandinha, rs), levei muitas broncas, mas também, me diverti muito, tive muitas coisas e principalmente vivi muitas coisas! A eles, meu muito obrigada!



Ahhhh.... tenho os meus amigos, aqueles que passaram, os que vieram e não foram mais embora e aqueles que eu tenho certeza que sempre estarão aqui, se não for de corpo, a alma. Carrego um pouquinho de cada um aqui dentro, de forma especial e única. Cada um trouxe uma coisa diferente e fazem parte de quem sou e de como sou.







Pretendo chegar aos 80 e poucos anos e até mais! E espero que nessa altura da vida eu use menos a palavra "Talvez", eu entenda menos e viva mais, pare de tentar entender tudo e perceba que viver é muito melhor, que eu valorize mais as pessoas e os momentos com elas, que eu ame mais e ache menos motivos para desgostar, que os meus objetivos sejam menos egoístas e que as minhas forças sejam canalizadas para o certo, aquilo que fica, é eterno.

Por fim, e não menos importante, agradeço ao doador de toda a vida, Jesus Cristo, por esse e por todos os anos e não apenas pelo que tem me dado, mas pela pessoa que tenho me tornado.

Ouvi uma frase essa semana e ficou marcada na minha mente, e vou terminando por aqui...

Quando você fizer um pedido a uma estrela, quem você é faz a diferença. (Peter Mclaren)


sábado, 6 de agosto de 2011

Quando os ventos de mudança sopram...

...umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento.
(Érico Veríssimo)

Simples assim. As vezes a gente muda. Muda o cabelo, o estilo, o visual, as cores da casa, do quarto, as coisas de lugar e muda também coisas invisíveis, aquelas coisas. Muda os pensamentos, a maneira de ver as coisas, muda a opinião, a situação, a opção, os sentimentos.

E porque a gente muda?

A grande questão se encontra em quando a gente não muda. Gente que passa a vida igual, ainda não entendeu que a mudança é necessária, afinal de contas, a gente não pode crescer e continuar esperneando e tomando mamadeira, ou pode?

A mudança simplesmente faz parte da natureza humana.



As vezes eu me deparo com situações, em que fico me remoendo tempos e tempos sobre elas. Escolhas. Já me perguntei um milhão de vezes se escolhi a profissão correta. Outras  três milhões sobre alguns relacionamentos que tive e ainda outras muitas sobre várias coisas

Dias atrás, resolvi por bem dar um tempo do Twitter, não sou nenhuma maluca ridícula que sai por ai falando e cometendo "Interneticídios", mas cansei. Uma coisa besta, não? Mas pra mim foi consistente, útil e saudável. Não saí por ele, ou aquele, ou por determinado motivo. Só percebi que estava me tomando tempo e privacidade demais, as vezes escrever o que vem a telha não é tão legal assim.

Internet e redes sociais são lugares pra dar a cara a tapa, como se diz por ai. Resolvi fazer isso em menor escala. Isso não quer dizer que não volto, mas sim, que nesse momento estou satisfeita sem ele. Sem maiores tragédias gregas.

Uma grande dor é avaliar e perceber que está errado e nunca mudar. Seja por medo ou outro qualquer motivo. 

A gente passa a vida se perguntando se está fazendo certo, mas esquece que a vida é feita de escolhas e principalmente de erros e acertos. Até quem não escolhe, escolheu isso!

Me perguntando quando as coisas vão acontecer, quando?? Sem perceber que a vida já está acontecendo hoje, pra ser mais exata: agora.

Passei um tempo me questionando sobre algumas coisas, escolhas e mudanças que a vida me trouxe e como reagi a cada uma delas. No fechamento desse balanço, contabilizei um bocado de coisas que gostaria de ter feito de outro jeito, outras que me dei por satisfeita e outras que acredito terem sido certas, momentos de dúvida e de lágrimas e sorrisos. Mas acima de tudo eu estou aqui, pronta pra mais e aceitando que eu mudo e que eu preciso mudar. Mudança está na essência de quem mora nessa terra.

O privilégio de continuar o mesmo é de Deus, eu preciso me recriar todos os dias.

Eu não sei por quantas mudanças, dores, desapontamentos, decepções e momentos difíceis eu vou passar, mas eu quero e persisto em ser feliz, em viver o máximo que eu puder, mesmo que pra isso eu tenha que mudar.


terça-feira, 19 de julho de 2011

O poder da calça jeans

Meu avô em sua mineirice tem o hábito de dizer: Menina, vc não tira a calça JEANS do corpo! E ele lê tudo como é, ou seja, literalmente JEANS. Sempre acho engraçado.

Pode faltar de tudo no meu guarda roupa, mas a bendita da calça jeans, não.

Combina com tudo, inclusive variedade de sapatos, sandálias e cores. É quase um acessório.


O dia que acordo sem inspiração para me arrumar, isso significa: Todos os dias! Vou direto na calça jeans, com qualquer coisa e o dia que levanto no pique, também!

Isso não quer dizer que renego o resto do guarda-roupa, apenas dou a devida importância a quem merece! Haha

Fico observando a evolução dos vestuários femininos e se tivesse nascido nas épocas dos vestidos rodados e diga-se de passagem, pesadíssimos! Acho que sofreria muito. Pediria pra morrééééé...

É fato, que jeans não é tecido e nem vestuário pra quem mora em país tropical como o nosso, e claro que é made in EUA, ops, mais ou menos!

Dá só uma olhadinha...

Jeans ou calças de ganga é o nome de um tipo de calça. O jeans começou a ser fabricado em 1872 em Nimes, na França. O nome "tecido de Nimes" acabou sendo abreviado por apenas "denim". Em princípio, quem importava esse tecido era a Itália, para confeccionar os uniformes dos marinheiros que trabalhavam no porto de Gênova. Esses genoveses, chamados de "genes" pelos franceses, acabaram também ganhando créditos dos norte-americanos, que o apelidaram de "jeans". Levi Strauss foi quem criou o jeans nos Estados Unidos no ano de 1853 para atender garimpeiros da Califórnia. Os rebites de reforço foram patenteados em 1873 por Levi Strauss e Jacob David. Tachinhas de cobre foram utilizadas para dar uma maior resistência aos bolsos que não estavam resistindo ao peso colocados neles. Os pontos críticos das calças foram reforçados, tornando-as mais duráveis.


Na sequência, como muitos sabem, a grande pioneira na fabricação de jeans é a Levi's, mas só na década de 70, o famosíssimo Calvin Klein bota a calça jeans nas passarelas e o bang! acontece.

Continuando...
Mas o que seria de nós, pobres mulheres, sem uma calça jeans no armário??

Em minha rélis opinião, a calça jeans abriu portas e fez parte da transformação de mulheres que só ficavam em casa, em mulheres que usam calça, assim como os homens, e tem capacidade de fazer as mesmas coisas. Isso não é machismo, é apenas a idéia, de que a mulher começou a achar que tinha capacidade, que tinha força e se vestiu para isso. Com muito mais classe e beleza, claro!

Machismo foi ter queimado sutiã! Isso sim! Uma peça útil, bonita e conveniente! Da onde as feministas da época tiraram a idéia de queimar um dos vestuários mais femininos e sensuais que conheço?? Mas, acho que isso dá outro post...

Quando uma mulher põe uma calça jeans, daquelas poderosas, que modelam cada curvinha do corpo, encobrem imperfeições e desenham silhuetas é impossível não se sentir poderosa. E isso qualquer um percebe, inclusive, os homens, em que a calça jeans não tem o mesmo efeito (com algumas poucas exceções, rs). Essa coisa de homem com calça mais apertada que tudo não cola, sorry!


Eu sei que é a calça jeans que denuncia os quilinhos e gordurinhas extras as vezes, mas imagina além do sobrepeso ter que usar uma saia ou um vestido que te faz sentir vestida de capa de botijão o tempo todo... nada contra essas roupas, mas bom senso vale a pena!

Enfim, parece coisa de gente louca escrever um post sobre calça jeans, mas eu simplesmente as adoro. Ao contrário do que muitos pensam usar calça jeans não é pecado e nem diminui a feminilidade das mulheres, mas ao contrário, nos faz sentir poderosa! E quem não quer uma mulher que se sente poderosa e linda todos os dias? 

Parece um pouco consumista e superficial, eu sei!

Mas as vezes, nós mulheres, ou melhor, nós seres humanos, precisamos de momentos consumistas e superficiais pra nos sentirmos vivos. Futilidade e idiotice as vezes faz bem! E ahhh traz poder! 

Viva a calça jeans!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Caçando borboletas


E a história é assim:

Era uma vez uma linda Margarida branca, que se achava a pior das flores, pois acreditava não ter cor, ser branca era muito sem graça.
Ela olhava as outras flores, todas coloridas, o sol, a lua, estrelas e tudo que existia tinha muita cor.
Menos ela.
Ela choramingou a todos que encontrava.
Um belo dia, várias borboletas apareceram no jardim e todas as flores começaram a se exibir, menos a Margarida. Todas desejavam que as borboletas posassem sobre elas, mas a Margarida não acreditava ser possível que acontecesse isso com ela.
Em dado momento, uma bela e muito colorida borboleta pousou sobre ela e todas as flores do jardim ficaram observando chocadas, inclusive a Margarida, que de pronto perguntou:
- Por que eu, linda Borboleta? Sou uma flor tão sem graça!
E a borboleta lhe disse:
- Porque o seu branco é simplesmente lindo! Tudo combina com ele. Ele realça minhas cores e eu fico mais bonita ainda.
A Margarida ficou muito contente e percebeu seu valor.


Essa história é um breve resumo de um livro infantil, que li aos meus alunos, do qual honestamente não me recordo o nome e que resolvi compartilhar aqui, depois de um bom tempo sem escrever.

Fiquei analisando o motivo da minha falta de inspiração nesses últimos dias e percebi o quanto a falta de sensibilidade atrapalha. 

Hoje fui ao médico com meu pai e lá havia um casal de senhores que passariam com o mesmo médico, claro que me chamou atenção o fato de estarem envelhecendo juntos num tempo em que nada dura muito, mas aconteceu uma cena, e essa sim, meio subliminar, contida, rápida e de extrema sensibilidade foi o que realmente me cativou. 

A sala de espera estava lotada e esse casal estava sentado um ao lado do outro, quando chega um outro senhor e mais que rapidamente o senhor com a esposa dá lugar a ele. A esposa lhe lança um olhar terno e um sorriso meigo e naquele momento eu simplesmente consegui captar a admiração, o respeito e o amor intrínsecos, mesmo em um gesto tão pequeno e entender que grandes construções são feitas de pequenos tijolos.

A beleza externa vai embora com o tempo, as marcas do tempo são implacáveis, mas aquilo que é construído, toda a cumplicidade e o valor do outro e de uma relação não acaba de um dia para o outro.

O que tem a ver um livro infantil sobre uma Margarida e um momento, de certa forma insignificante, de um casal de idosos?

Simples. Os dois se baseiam em pequenas coisas. Na percepção de pequenos momentos, do valor de si, de quem está ao redor e na beleza singela das coisas e isso as torna grandiosa.

Tenho a tendência a me ater a grandes realizações e na verdade, todos nós ou a grande maioria também faz isso. Coisas, pessoas e momentos grandes são importantes. São e devem fazer parte da vida. Mas perder o olhar sobre o que foi construído pode nos tornar insensíveis.

Quando conseguimos um bom emprego ou encontramos o grande amor da nossa vida, ou qualquer outra realização, nós as vezes perdemos a essência de tudo o que passamos, dos pequenos momentos, dos detalhes de como conseguimos ou nos tornamos determinada pessoa, e as vezes nos perdemos, porque na verdade somos feitos de pequenos detalhes.

Talvez, as pequenas coisas que fazem diferença na sua vida: rir até chorar, conversar sobre o tempo com um estranho na fila do banco, comer um chocolate no meio da tarde, lamber a vasilha do bolo, caminhar numa praça com um fone de ouvido, assistir a um filme bobo na Sessão da tarde, tomar um bom banho depois de uma dia estressante, dormir feito criança, acordar tarde num sábado, deitar na cama só para sonhar, ouvir música sem pensar em absolutamente nada, pegar um cinema numa terça a tarde, tomar sorvete e deixar cair na roupa, reencontrar pessoas, ficar com os amigos vendo TV, a primeira mordida numa bomba de chocolate e muitas outras coisas, tenham se perdido em meio a busca de alguma coisa.

Na verdade, eu acabei de listar algumas das coisas simples que fazem da minha vida um grande acontecimento e que dão sentido a ela. As vezes eu não percebo isso.

Não sei quais são suas pequenas coisas, meu caro leitor, mas assim como eu, deixo aqui o meu apelo para que você comece a percebe-las e talvez fazê-las mais  e mais vezes... Tem uma frase do Arnaldo Jabor que gosto muito, ela diz assim: 'Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento'. Que seja o melhor!

Não é preciso caçar borboletas, basta ser simples, perceber coisas simples e com certeza as mais belas, coloridas, instigantes e extravagantes borboletas virão no seu jardim. Quando menos se espera. A beleza simples, aquela que é real atrai os melhores olhares e constrói as mais bonitas e longas relações. 

Por fim, vou deixar um videozinho, nada para pensar, apenas pra apreciar, rir e achar graça... se você quiser!







sábado, 11 de junho de 2011

Via Láctea

Estamos naquela famosa data do ano o DIA DOS NAMORADOS, e mesmo estando solteira NÃO odeio o Dia dos namorados!

E nesse post quero falar um pouquinho sobre o amor, na verdade, o que eu entendo por amor.

Não pretendo dar conselhos e nem falar como expert! Os mais vividos tem muito mais experiências e gabarito para isso!

Quando era criança e estava aprendendo a ler tive meu primeiro contato com poesia por meio de um papel que encontrei no meio de uns livros, numa prateleira do armário da minha professora. Eu tinha 6 anos. E você deve se perguntar como me lembro disso??? Foi marcante demais para esquecer.

Quando comecei a ler o poema, que dá título a esse post 'Via Láctea' ainda errando sílabas e meio tropéga, sentei no chão e fiquei tentando desvendar o que queria dizer aquilo...


Via Láctea


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido 
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

                                       Olavo Bilac




Na minha cabeça infantil, me questionava: Estrela fala? Além disso algumas palavras do vocabulário ainda me eram um mistério... 

Mas enfim, depois dessa experiência esse poema passou a fazer parte da minha vida.

Hoje em dia, eu entendo que a capacidade de amar uma pessoa é praticamente uma loucura! Você sai de si, você vê o mundo de outro jeito, você olha o céu e as estrelas, fala com elas e vê tudo nos olhos de quem ama, mesmo em pleno silêncio.

Acho isso uma loucura... porque quando estamos amando, estamos nos arriscando e porque somos capazes de aceitar coisas, compreender situações e ter sensações que em sã consciência nunca teríamos. O outro é diferente da gente, age de acordo com seus valores, crenças e modos de pensar e quando amamos alguém, simplesmente amamos. Não tem como explicar ou dizer porque amamos. Simples, eu amo e pronto.

Vejo gente que a cada dia "ama um", que não suporta sua própria companhia e que se apaixona e desapaixona na mesma velocidade que a luz! Suspeito... Como alguém que não consegue ficar sozinho e na verdade não suporta a si mesmo pode realmente amar alguém? Isso é egoísmo e não amor.

Amor é tempo, é olhar, é simples, as vezes rotina, outras não, mas sempre, sempre amor, aquele que aguenta, suporta e consegue ver estrelas até no céu mais nublado.

Pois é, alguém que está sem namorado falando de amor, estranho, não?? Não! Tô aprendendo também!

Amor é aprender, aceitar, compreender, perdoar e pedir perdão, as vezes amar o outro é simplesmente dizer não, se afastar.

Há algum tempo passei por uma situação totalmente nova, que seria uma grande mudança na minha vida e na vida de todos os que convivem comigo e o amor falou mais alto e eu disse não! Por amor próprio, por amor a quem me amava e por amor a quem naquele momento tentou consolidar o amor que sentia por mim.

Foi difícil, mas vejo que tomei a decisão correta. O amor é assim e identificá-lo nas situações é essencial, o verdadeiro amor nos faz ser feliz e com certeza que o outro também seja!

Esteja você ouvindo estrelas por alguém (ou não!) seja feliz!  Não fique amargo por isso, ou aquilo. Não tem uma namorado? Eu também não! Mas tenho outras milhares de coisas que me completam e me fazem feliz. 

Em assuntos de amor ninguém é graduado, mas o melhor é viver e ir vendo a vida passar... no fim olhar para trás e pensar: Valeu a pena!

Então um FELIZ DIA DOS NAMORADOS a todos e que cada um de nós tenha a rara e ótima oportunidade de ouvir estrelas!