terça-feira, 19 de julho de 2011

O poder da calça jeans

Meu avô em sua mineirice tem o hábito de dizer: Menina, vc não tira a calça JEANS do corpo! E ele lê tudo como é, ou seja, literalmente JEANS. Sempre acho engraçado.

Pode faltar de tudo no meu guarda roupa, mas a bendita da calça jeans, não.

Combina com tudo, inclusive variedade de sapatos, sandálias e cores. É quase um acessório.


O dia que acordo sem inspiração para me arrumar, isso significa: Todos os dias! Vou direto na calça jeans, com qualquer coisa e o dia que levanto no pique, também!

Isso não quer dizer que renego o resto do guarda-roupa, apenas dou a devida importância a quem merece! Haha

Fico observando a evolução dos vestuários femininos e se tivesse nascido nas épocas dos vestidos rodados e diga-se de passagem, pesadíssimos! Acho que sofreria muito. Pediria pra morrééééé...

É fato, que jeans não é tecido e nem vestuário pra quem mora em país tropical como o nosso, e claro que é made in EUA, ops, mais ou menos!

Dá só uma olhadinha...

Jeans ou calças de ganga é o nome de um tipo de calça. O jeans começou a ser fabricado em 1872 em Nimes, na França. O nome "tecido de Nimes" acabou sendo abreviado por apenas "denim". Em princípio, quem importava esse tecido era a Itália, para confeccionar os uniformes dos marinheiros que trabalhavam no porto de Gênova. Esses genoveses, chamados de "genes" pelos franceses, acabaram também ganhando créditos dos norte-americanos, que o apelidaram de "jeans". Levi Strauss foi quem criou o jeans nos Estados Unidos no ano de 1853 para atender garimpeiros da Califórnia. Os rebites de reforço foram patenteados em 1873 por Levi Strauss e Jacob David. Tachinhas de cobre foram utilizadas para dar uma maior resistência aos bolsos que não estavam resistindo ao peso colocados neles. Os pontos críticos das calças foram reforçados, tornando-as mais duráveis.


Na sequência, como muitos sabem, a grande pioneira na fabricação de jeans é a Levi's, mas só na década de 70, o famosíssimo Calvin Klein bota a calça jeans nas passarelas e o bang! acontece.

Continuando...
Mas o que seria de nós, pobres mulheres, sem uma calça jeans no armário??

Em minha rélis opinião, a calça jeans abriu portas e fez parte da transformação de mulheres que só ficavam em casa, em mulheres que usam calça, assim como os homens, e tem capacidade de fazer as mesmas coisas. Isso não é machismo, é apenas a idéia, de que a mulher começou a achar que tinha capacidade, que tinha força e se vestiu para isso. Com muito mais classe e beleza, claro!

Machismo foi ter queimado sutiã! Isso sim! Uma peça útil, bonita e conveniente! Da onde as feministas da época tiraram a idéia de queimar um dos vestuários mais femininos e sensuais que conheço?? Mas, acho que isso dá outro post...

Quando uma mulher põe uma calça jeans, daquelas poderosas, que modelam cada curvinha do corpo, encobrem imperfeições e desenham silhuetas é impossível não se sentir poderosa. E isso qualquer um percebe, inclusive, os homens, em que a calça jeans não tem o mesmo efeito (com algumas poucas exceções, rs). Essa coisa de homem com calça mais apertada que tudo não cola, sorry!


Eu sei que é a calça jeans que denuncia os quilinhos e gordurinhas extras as vezes, mas imagina além do sobrepeso ter que usar uma saia ou um vestido que te faz sentir vestida de capa de botijão o tempo todo... nada contra essas roupas, mas bom senso vale a pena!

Enfim, parece coisa de gente louca escrever um post sobre calça jeans, mas eu simplesmente as adoro. Ao contrário do que muitos pensam usar calça jeans não é pecado e nem diminui a feminilidade das mulheres, mas ao contrário, nos faz sentir poderosa! E quem não quer uma mulher que se sente poderosa e linda todos os dias? 

Parece um pouco consumista e superficial, eu sei!

Mas as vezes, nós mulheres, ou melhor, nós seres humanos, precisamos de momentos consumistas e superficiais pra nos sentirmos vivos. Futilidade e idiotice as vezes faz bem! E ahhh traz poder! 

Viva a calça jeans!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Caçando borboletas


E a história é assim:

Era uma vez uma linda Margarida branca, que se achava a pior das flores, pois acreditava não ter cor, ser branca era muito sem graça.
Ela olhava as outras flores, todas coloridas, o sol, a lua, estrelas e tudo que existia tinha muita cor.
Menos ela.
Ela choramingou a todos que encontrava.
Um belo dia, várias borboletas apareceram no jardim e todas as flores começaram a se exibir, menos a Margarida. Todas desejavam que as borboletas posassem sobre elas, mas a Margarida não acreditava ser possível que acontecesse isso com ela.
Em dado momento, uma bela e muito colorida borboleta pousou sobre ela e todas as flores do jardim ficaram observando chocadas, inclusive a Margarida, que de pronto perguntou:
- Por que eu, linda Borboleta? Sou uma flor tão sem graça!
E a borboleta lhe disse:
- Porque o seu branco é simplesmente lindo! Tudo combina com ele. Ele realça minhas cores e eu fico mais bonita ainda.
A Margarida ficou muito contente e percebeu seu valor.


Essa história é um breve resumo de um livro infantil, que li aos meus alunos, do qual honestamente não me recordo o nome e que resolvi compartilhar aqui, depois de um bom tempo sem escrever.

Fiquei analisando o motivo da minha falta de inspiração nesses últimos dias e percebi o quanto a falta de sensibilidade atrapalha. 

Hoje fui ao médico com meu pai e lá havia um casal de senhores que passariam com o mesmo médico, claro que me chamou atenção o fato de estarem envelhecendo juntos num tempo em que nada dura muito, mas aconteceu uma cena, e essa sim, meio subliminar, contida, rápida e de extrema sensibilidade foi o que realmente me cativou. 

A sala de espera estava lotada e esse casal estava sentado um ao lado do outro, quando chega um outro senhor e mais que rapidamente o senhor com a esposa dá lugar a ele. A esposa lhe lança um olhar terno e um sorriso meigo e naquele momento eu simplesmente consegui captar a admiração, o respeito e o amor intrínsecos, mesmo em um gesto tão pequeno e entender que grandes construções são feitas de pequenos tijolos.

A beleza externa vai embora com o tempo, as marcas do tempo são implacáveis, mas aquilo que é construído, toda a cumplicidade e o valor do outro e de uma relação não acaba de um dia para o outro.

O que tem a ver um livro infantil sobre uma Margarida e um momento, de certa forma insignificante, de um casal de idosos?

Simples. Os dois se baseiam em pequenas coisas. Na percepção de pequenos momentos, do valor de si, de quem está ao redor e na beleza singela das coisas e isso as torna grandiosa.

Tenho a tendência a me ater a grandes realizações e na verdade, todos nós ou a grande maioria também faz isso. Coisas, pessoas e momentos grandes são importantes. São e devem fazer parte da vida. Mas perder o olhar sobre o que foi construído pode nos tornar insensíveis.

Quando conseguimos um bom emprego ou encontramos o grande amor da nossa vida, ou qualquer outra realização, nós as vezes perdemos a essência de tudo o que passamos, dos pequenos momentos, dos detalhes de como conseguimos ou nos tornamos determinada pessoa, e as vezes nos perdemos, porque na verdade somos feitos de pequenos detalhes.

Talvez, as pequenas coisas que fazem diferença na sua vida: rir até chorar, conversar sobre o tempo com um estranho na fila do banco, comer um chocolate no meio da tarde, lamber a vasilha do bolo, caminhar numa praça com um fone de ouvido, assistir a um filme bobo na Sessão da tarde, tomar um bom banho depois de uma dia estressante, dormir feito criança, acordar tarde num sábado, deitar na cama só para sonhar, ouvir música sem pensar em absolutamente nada, pegar um cinema numa terça a tarde, tomar sorvete e deixar cair na roupa, reencontrar pessoas, ficar com os amigos vendo TV, a primeira mordida numa bomba de chocolate e muitas outras coisas, tenham se perdido em meio a busca de alguma coisa.

Na verdade, eu acabei de listar algumas das coisas simples que fazem da minha vida um grande acontecimento e que dão sentido a ela. As vezes eu não percebo isso.

Não sei quais são suas pequenas coisas, meu caro leitor, mas assim como eu, deixo aqui o meu apelo para que você comece a percebe-las e talvez fazê-las mais  e mais vezes... Tem uma frase do Arnaldo Jabor que gosto muito, ela diz assim: 'Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento'. Que seja o melhor!

Não é preciso caçar borboletas, basta ser simples, perceber coisas simples e com certeza as mais belas, coloridas, instigantes e extravagantes borboletas virão no seu jardim. Quando menos se espera. A beleza simples, aquela que é real atrai os melhores olhares e constrói as mais bonitas e longas relações. 

Por fim, vou deixar um videozinho, nada para pensar, apenas pra apreciar, rir e achar graça... se você quiser!







sábado, 11 de junho de 2011

Via Láctea

Estamos naquela famosa data do ano o DIA DOS NAMORADOS, e mesmo estando solteira NÃO odeio o Dia dos namorados!

E nesse post quero falar um pouquinho sobre o amor, na verdade, o que eu entendo por amor.

Não pretendo dar conselhos e nem falar como expert! Os mais vividos tem muito mais experiências e gabarito para isso!

Quando era criança e estava aprendendo a ler tive meu primeiro contato com poesia por meio de um papel que encontrei no meio de uns livros, numa prateleira do armário da minha professora. Eu tinha 6 anos. E você deve se perguntar como me lembro disso??? Foi marcante demais para esquecer.

Quando comecei a ler o poema, que dá título a esse post 'Via Láctea' ainda errando sílabas e meio tropéga, sentei no chão e fiquei tentando desvendar o que queria dizer aquilo...


Via Láctea


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido 
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

                                       Olavo Bilac




Na minha cabeça infantil, me questionava: Estrela fala? Além disso algumas palavras do vocabulário ainda me eram um mistério... 

Mas enfim, depois dessa experiência esse poema passou a fazer parte da minha vida.

Hoje em dia, eu entendo que a capacidade de amar uma pessoa é praticamente uma loucura! Você sai de si, você vê o mundo de outro jeito, você olha o céu e as estrelas, fala com elas e vê tudo nos olhos de quem ama, mesmo em pleno silêncio.

Acho isso uma loucura... porque quando estamos amando, estamos nos arriscando e porque somos capazes de aceitar coisas, compreender situações e ter sensações que em sã consciência nunca teríamos. O outro é diferente da gente, age de acordo com seus valores, crenças e modos de pensar e quando amamos alguém, simplesmente amamos. Não tem como explicar ou dizer porque amamos. Simples, eu amo e pronto.

Vejo gente que a cada dia "ama um", que não suporta sua própria companhia e que se apaixona e desapaixona na mesma velocidade que a luz! Suspeito... Como alguém que não consegue ficar sozinho e na verdade não suporta a si mesmo pode realmente amar alguém? Isso é egoísmo e não amor.

Amor é tempo, é olhar, é simples, as vezes rotina, outras não, mas sempre, sempre amor, aquele que aguenta, suporta e consegue ver estrelas até no céu mais nublado.

Pois é, alguém que está sem namorado falando de amor, estranho, não?? Não! Tô aprendendo também!

Amor é aprender, aceitar, compreender, perdoar e pedir perdão, as vezes amar o outro é simplesmente dizer não, se afastar.

Há algum tempo passei por uma situação totalmente nova, que seria uma grande mudança na minha vida e na vida de todos os que convivem comigo e o amor falou mais alto e eu disse não! Por amor próprio, por amor a quem me amava e por amor a quem naquele momento tentou consolidar o amor que sentia por mim.

Foi difícil, mas vejo que tomei a decisão correta. O amor é assim e identificá-lo nas situações é essencial, o verdadeiro amor nos faz ser feliz e com certeza que o outro também seja!

Esteja você ouvindo estrelas por alguém (ou não!) seja feliz!  Não fique amargo por isso, ou aquilo. Não tem uma namorado? Eu também não! Mas tenho outras milhares de coisas que me completam e me fazem feliz. 

Em assuntos de amor ninguém é graduado, mas o melhor é viver e ir vendo a vida passar... no fim olhar para trás e pensar: Valeu a pena!

Então um FELIZ DIA DOS NAMORADOS a todos e que cada um de nós tenha a rara e ótima oportunidade de ouvir estrelas!



quarta-feira, 1 de junho de 2011

De volta ao planeta dos macacos

Nos últimos meses e principalmente semanas estamos sendo bombardeados com várias notícias e protestos, todos referentes a legalização disso ou daquilo, em suma, entramos numa fase onde tudo é muito relativo e aberto a debates.

Dias atrás ouvindo uma música 'De volta ao Planeta dos macacos' consegui me encontrar...


Sei que esse texto inicialmente pode parecer homofóbico, mas pode ter a certeza que não é!

O grande embate nos altos escalões do governo e nas ruas é a PL 122 que criminaliza quaisquer atos de preconceito e/ou homofobia.

Sou contra a aprovação dessa lei.

Não vou utilizar como base para minha opinião a religião ou minha crença pessoal, mas sim meu direito garantido por lei, é a nossa CONSTITUIÇÃO FEDERAL BRASILEIRA, promulgada em 1988 e que garante a qualquer brasileiro o direito de liberdade.

Sou a favor da liberdade de ir e vir garantida por lei, da garantia de expressão livre e acredito e cumpro meus deveres também.

Tenho o direito de discordar, mas o dever de respeitar.


O grande problema é que nós, brasileiros, chegamos a um ponto que as pessoas acreditam que a criação de novas leis vai resolver velhos problemas, e não pensam que na verdade, as leis que já existem é que devem ser cumpridas.

Fico estarrecida com a Inglaterra, que com uma Constituição muito menor que a nossa cumpre em maior quantidade o que a mesma reza.

E por que?

Muitos devem estar pensando: Não compare a cultura inglesa a nossa! Mas na verdade me questiono sobre quem é o ser humano, do que ele é capaz? E principalmente o que nós brasileiros estamos nos tornando e para onde estamos indo...

Nós estamos num ponto de que tudo precisa ser lei! Parece que a sensação de segurança só "aumenta" se for lei. Mas na verdade nós temos leis, e muitas! O que acontece é um conjunto de fatores: a falta de conhecimento sobre as leis, uma educação que tenta educar, mas que na verdade só aliena, a sensação de segurança, a falta de empenho do governo em trabalhar pelas leis existentes e em pról do povo, entre outros.

Quando nós criamos leis que protegem esse ou aquele grupo, não pensamos que na verdade estamos fazendo isso em decorrência do resto da população.

Todos nós, perante a própria Lei, somos iguais e por isso podemos ser diferentes.


No Brasil nós temos Lei pra todo gosto. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Estatuto do Idoso, Lei de proteção ao meio ambiente, Lei Maria da Penha, Código de Trânsito e mais uma pilha de livros, que quem estuda Ciências Jurídicas pode me contar!

E achamos que tudo isso faz alguma diferença, mas até agora sejamos honestos: mudou alguma coisa? Melhorou alguma coisa?

Eu não vejo.

A percepção do que tem por trás de cada "criação jurídica" não nos ocorre. Temos um bando de políticos tentando se promover em cima de uma parcela da população, por que quem consegue aprovar algum Projeto de Lei tem voto garantido na próxima eleição.

O político que conseguir fazer valer um terço das leis que temos, esse merece meu voto.

Sou a favor do direito de todos os brasileiros, independente de cor, raça, sexo, opção sexual ou seja lá o que for. Mas não me conformo com a idéia de que somos tão selvagens e não conseguimos conviver e nem ao menos fazer valer as leis que nos cobrem e nos garantem: LIBERDADE.

Existe mesmo necessidade, ou o que nos falta é senso de identidade e respeito?

As leis já existem, cadê os políticos que na verdade precisam criar mecanismos para que elas funcionem e só nos fazem passar vergonha com suas macaquices e na verdade sublinarmente nos chamam de idiotas?


A Educação do nosso país está se desfacelando, devido a uma enorme quantidade de motivos, isso inclue os currículos, que igualmente são elaborados pelo alto escalão e vive mudando, devido a sua descontextualização, a falta de idéia e de planejamento e isso prejudica a formação cultural, profissional, social e econômica da nossa população e ainda me vem com Cartilha contra a Homofobia. O que???

A escola precisa trabalhar para que o aluno respeite TODA A FORMA DE VIDA, e não ensinar os alunos que essa ou aquela pessoa é "mais especial". Todos somos iguais, como brasileiros e todos podemos ser diferentes e devemos ser respeitados pelas igualdades e diferenças.

Acho que daqui a algum tempo vamos ter Estatuto de Proteção as Loiras Oxigenadas (ou não), Lei que protege aos mais cheinhos, mais magrinhos, de cabelo com progressiva e por ai vai! Parece engraçado, mas na verdade é muito triste. Estamos achando normal criminalizar tudo, ao invés de trabalhar as diferenças como forma de expressão e de direito de concordar ou discordar, mas com o dever de respeitar, compreender e conviver.

Que país é esse??



Fico indignado com a selvageria que começa no governo e se espalha pela nação... me sinto cada vez mais caminhando a largos passos de volta ao Planeta dos macacos!


terça-feira, 17 de maio de 2011

A pipoca - Rubem Alves

Arrumando minhas coisas achei no meio da bagunça um livro meu de Rubem Alves e a página marcada tinha um texto dele que gosto muito, muito mesmo, então resolvi compartilhar aqui, onde muitos podem ter acesso, já que atualmente a leitura de livros de papel tá virando coisa rara. Vale  a pena conferir, até pra quem não tem hábito de leitura!



A pipoca
Rubem Alves

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.

Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.

Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas.

Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.

Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...

A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.

Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á". A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...

"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sobre os fins

Estou sem postar a semanas! Um conjunto de fatores... tempo, inspiração, vontade, enfim. Mas estou de volta!


Passei a semana "matutano" sobre o que eu gostaria de escrever, na verdade, pensando sobre o que eu tenho a necessidade de expressar, pois em cada post percebo que preciso escrever, que isso realmente faz parte de algo que me traz prazer.

Sem perceber comecei a olhar ao redor e perceber algumas coisas sobre os fins, sabe aquele (...) e viveram felizes para sempre... Isso, é isso mesmo! Ou melhor, tem a ver com isso também!


Essa idéia de fim é algo que está incutido no ser humano, desde que nascemos, mesmo que na verdade ninguém está preparado para isso e nem fomos feitos para isso!

A grande maioria das religiões acredita que haja vida após a morte, que existe um lugar para o qual, em uma existência superior, existimos novamente. Eu também acredito nisso. Acredito na Morada Celeste, no céu.


Mas entre o intervalo nascer-morrer existe o que chamamos de VIDA. E a grande pergunta que deve ecoar em nossas mentes não é: Quando vou morrer? Mas sim: O que fazer nesse intervalo?

Desde crianças aprendemos por meio dos desenhos, novelas e filmes que todo drama acaba com um letreiro ao fim "Happy Ending" mas o que nunca nos questionamos é como são feitos os finais felizes. 



Acho que a primeira consideração a ser feita é o que esperamos de um final feliz?? Tem gente que espera uma vida perfeita, mas na verdade que conceito é esse de perfeição? Um conceito 'enlatado' vindo de uma mídia e de idéias consumistas estereotipadas, que esperam que você seja feliz a qualquer custo,  mesmo que isso lhe custe a vida. Prazer a qualquer preço.


Será que as expectativas que temos criado para nossas vidas tem sido realistas e principalmente pautadas em valores que nos apreciem ao invés de depreciar a alegria e a dádiva de existir?


Muitas vezes já me vi buscando um final feliz pras diversas situações da minha vida e garanto a vocês que naquele momento pareceu que tudo aconteceu ao contrário do que eu queria e continuo aqui, talvez se o final que eu quisesse tivesse acontecido a minha vida seria diferente e eu estaria diferente. Talvez mais feliz, talvez menos.


Mas o que me chama atenção é que sempre estamos buscando algo, ou seja, o final feliz não é algo absoluto. 


E porque?? Porque na vida real não acontece como nos contos de fada?? 


É simples... os contos de fada acabam quando a princesa se casa e a nossa vida continua e o principal fator: NÓS MUDAMOS! Cada dia é um dia diferente pra nós, o dia muda e nós mudamos. Nunca esqueço daquela frase de 'Vicky Cristina Barcelona': Não sei o que quero, mas sei exatamente o que não quero' e isso pode mudar.


Nós nunca vamos saber se a Cinderela, Branca de Neve e suas amigas realmente foram felizes pra sempre, se tiveram problemas no casamento, se os filhos deram trabalho na escola, se elas resolveram trabalhar fora e o príncipe não aceitou e virou fera... será, será?? 



O poeta diz que a felicidade não está no caminho e sim no caminhar, na maneira como se anda e não nos fins. Eu acho que quando paramos e acreditamos que chegou o fim a vida perde o sentido, a razão, a força divina que nos impulsiona a continuar, a acreditar que tudo é possível!


A nossa mente é tão pequena diante da grandiosidade de tudo que vemos e principalmente do que não vemos e nós temos a tendência a se fechar na nossa caixinha e perseguir a vida inteira coisas e objetivos, que talvez quando chegarmos ao verdadeiro fim não farão nenhum sentido e teremos a sensação de que não valeu a pena e que nunca tivemos nosso final feliz.


Vamos aproveitar o caminho, as flores e os espinhos que fazem parte dele e o fim com certeza virá e será melhor do que nós, pobres e rélis mortais, idealizamos.


Rubem Alves diz que as religiões são formas de ajuntar os cacos. Então se você está aqui, aproveite esse tempo e faça um mosaico.




sábado, 23 de abril de 2011

Os 10 mais

Eu já tinha um post praticamente pronto, mas, me deu vontade de escrever outra coisa. E como já disse eu escrevo aqui por prazer e  sem obrigação de seguir um tema, roteiro ou até mesmo de trazer uma idéia legal, apenas tem o objetivo de me deixar satisfeita e de repente que alguém também se sinta bem.

Como a maioria das pessoas que já leu esse Blog já percebeu eu sou uma pessoa que adora Cinema, Música, Literatura e afins... e hoje resolvi escrever um pouquinho sobre uma dessas paixões: CINEMA.


Que fique claro que não sou e nem tenho a pretensão de ser especialista no assunto. Escrevo como alguém que gosta, admira e gasta tempo "cinemando" (acabei de inventar esse verbo!).

Então, vamos ao que interessa! 

Montei uma lista dos meus filmes favoritos, aqueles que marcaram a minha vida e que fizeram parte do meu aprendizado consciente ou inconscientemente, seja trazendo entretenimento ou 'grandes morais'. Também é importante lembrar que não existe uma ordem, apenas escolhi 10... e foi difícil escolher só isso!

Aproveite e 'se não faz sentido, discorde comigo. Não é nada demais'.

Começo essa viagem por um filme de 1972, mas que eu só assisti em 2010, graças a uma insistência da TV em repetí-lo, O PODEROSO CHEFÃO. A saga da família Corleone conseguiu prender a  minha total atenção nos 5 primeiros minutos de filme e nem dar tempo do "pipi" e me fez dizer: Uau! Esse Francis Ford Coppola é o cara! Se você ainda não assistiu, vale muito a pena separar 3 horas do seu tempo, é, é um filme longo, mas vale cada minuto!


Um dos filmes que me faz vibrar assistindo e que me fazia pular de alegria quando passava na "Sessão da Tarde", sessão que hoje em dia não passa nada de interessante, em minha mera opinião... é CURTINDO A VIDA ADOIDADO. O que é esse filme?? Esse filme marcou minha infância e minha adolescência, porque trazia uma comédia diferente, que chegava a ser sarcástica. 


Agora, vou para um grande clássico dos desenhos da Walt Disney, o meu favorito das franquias de Contos de Fada: A BELA E FERA, de 1991, que trouxe as telas objetos com vida e sentimentos e uma bela moça que consegue se apaixonar por uma Fera, o que me me encantava e me encanta até hoje!



Vou de filmes 'mais antigos' para o recente VICKY CRISTINA BARCELONA, de Woody Allen, que realmente me chamou a atenção. Tenho a tendência a não simpatizar com filmes que usam como recurso a narração de alguém 'fora da história',  e confesso não ser a mais apaixonada pelo trabalho do diretor, mas na primeira cena desse filme ele já conseguiu mexer comigo e despertar minha curiosidade que depois só ia aumentando a medida dos diálogos, acontecimentos e do cenário magnífico, além da beleza dos intérpretes e do show dado por Penélope Cruz, no papel Oscarizado de Maria Helena.
Mesmo se você não gosta do estilo de Woody Allen #FikDik


Sou mega fã de tudo o que Júlia Roberts faz, então é claro que ela não poderia faltar aqui e dentro da filmografia dela, escolhi o filme que a consagrou e você deve estar certo, é, esse mesmo! UMA LINDA MULHER. Parece ridículo e previsível comentar sobre esse filme sendo uma mulher que vos escreve, mas fala sério! Esse filme marcou época e por vários motivos... se você não assistiu ou faz tempo que não lembra, corre e assista novamente!


O próximo filme pode surpreender muita gente e fazer com que alguns mudem suas opiniões sobre mim e achem meu gosto duvidoso...

Quando criança, era daquelas que jogava muito Nintendo e Mega Drive  uma aficcionada por MORTAL KOMBAT, então esse filme pode não ter as melhores atuações, cenários, lutas, trilhas sonoras e etc's. Mas pra mim é demais! Sonia Blade, Kitana, Scorpion e Cia limitada detonam! Fight!


Vamos agora ao filme número 7, lembrando que nem de perto essa lista é feita por ordem de preferência e com certeza muitos filmes que realmente gosto ficarão fora e quem sabe de uma próxima vez estarão aqui para serem divididos com todos vocês!

Fui ao cinema mais de uma vez assistir PIRATAS DO CARIBE - A MALDIÇÃO DO PÉROLA NEGRA e pra mim nenhum dos outros filmes participantes da saga chega nem perto do primeiro! O Capitão Jack Sparrow é realmente uma criação ímpar no cinema, os trejeitos, as caras e as falas impagáveis na interpretação de Johnny Deep, que é um ator que eu admiro em todos os trabalhos, desde a série 'Anjos da Lei' passando por 'Don Juan de Marco' e chegando a 'Turista'.


Nessa parte da história vou a um filme com esse nome: A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA. O que é aquela cena que o Edward Norton durante um assalto em sua casa pede ao cara que ponha a boca na guia da calçada e a cena é cortada?? Nunca me esqueci daquela cena! E assisti aquele filme faz vários anos! Tudo nesse filme é bom! O roteiro, a edição, os atores e interpretações e a tensão que ele pode te trazer é forte.


Nessa altura do campeonato vou dividir o lugar entre dois filmes que realmente marcaram minha vida, eu decorei uma boa parte das falas e assistia repetidamente, coisa que minha mãe já não suportava mais, mas que eu não conseguia parar de ver!

Divido agora com vocês a minha devoção a O PAI DA NOIVA  e MUDANÇA DE HÁBITO, ambos com comediantes maravilhosos!

MUDANÇA DE HÁBITO tem um ingrediente que me agrada até hoje: Música. Prova que adoro os musicais até hoje...  e O PAI DA NOIVA traz o bárbaro George Banks (Steve Martin) que não tenho nem como comentar! E que fez outros muitos filmes que me marcaram, como: Fé demais não cheira bem, Um espírito atrás de mim, entre outros.



Encerrando essa lista, com dor no coração, por saber que faltaram filmes, mas a vida é assim! Haha


O último filme que gostaria de compartilhar aqui é PULP FICTION, de 1994, de um diretor que eu simplesmente A-DO-RO, Quentin Tarantino. O estilo dos filmes dele tem como marca um dinamismo, a não obrigação de uma cronologia e tomadas impecavelmente filmadas e editadas a ponto de te fazer colocar "os bofes pra fora". Coloco esse filme dele aqui, mas sou fã incondicional de Kill Bill e Bastardos Inglórios.


Fica aqui alguns (poucos) de meus filmes favoritos, não necessariamente em ordem e que não tem a mínima pretensão, como já disse, de parecer algo especializado ou que agrada a todo mundo. Você tem o direito de gostar, odiar, discordar e de assistir e repensar! De repente quando vemos algo pensando na visão de outras pessoas a gente repensa e acaba gostando ou no mínimo tendo outra visão  sobre o assunto.