quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Os meus 20 e poucos anos



Eles chegaram.

Estou completando 24 primaveras. Há alguns anos atrás, vivia pensando "quando eu for grande", apesar, que grande, cá entre nós, eu sempre fui! Mas, enfim, pensando, como seria ser adulta, como seria chegar aos vinte e poucos anos...

Fui uma menina falante (matraca mesmo), sempre gostei de estudar, de ouvir música e sempre amei cinema. Tenho uma ligação com essas coisas: falar, ouvir e ver. Os meus melhores sentidos.


Essa foto, foi tirada em 1988, quando completei 1 ano. Não mudei muito... Haha

Sempre fui um tanto descoordenada, lenta pra comer e com algumas manias malucas, mas sobrevivi até aqui!

Quando a gente é criança, adolescente, acha que ser adulto é o máximo... mal sabe de todos os atravancos, problemas, dores de cabeça, responsabilidades e contas pra pagar, em resumo. Perceber que a liberdade é um conceito ilusório, porque tudo, tudo, tudo tem uma consequência, um preço a pagar. Ver que o príncipe encantado não existe, mas que as bruxas... essas, eu acho que estão por ai!

Mas tem as coisas boas... você muda, seus sentimentos mudam, os gostos, as vontades e os sonhos. E se você soube aproveitar o que passou, muda para melhor. Quando você é uma criança feliz, um adolescente saudável, sua vida adulta pode ser melhor ainda. Sem traumas, neuras e demais desgraças. E isso, independe dos outros, a visão da vida é sua e a forma também. Não culpe ninguém pelas suas escolhas.

Conselhos?? Sim! Descobri, que sem os melhores conselhos das melhores pessoas, eu não me tornaria quem sou e vou continuar me tornando.


Fui ao 1° ano, com 6 anos, e a LDB nem tinha sido promulgada, mas, acho que optei em ser professora porque tive bons professores e inacreditavelmente, os livros e as aulas sempre me atraíram.

Estudei, e me decidi logo, aos 17 anos: quero ser professora e ponto final!

Não posso deixar de escrever sobre a minha família! Se não fosse a educação que tive... apanhei (era danandinha, rs), levei muitas broncas, mas também, me diverti muito, tive muitas coisas e principalmente vivi muitas coisas! A eles, meu muito obrigada!



Ahhhh.... tenho os meus amigos, aqueles que passaram, os que vieram e não foram mais embora e aqueles que eu tenho certeza que sempre estarão aqui, se não for de corpo, a alma. Carrego um pouquinho de cada um aqui dentro, de forma especial e única. Cada um trouxe uma coisa diferente e fazem parte de quem sou e de como sou.







Pretendo chegar aos 80 e poucos anos e até mais! E espero que nessa altura da vida eu use menos a palavra "Talvez", eu entenda menos e viva mais, pare de tentar entender tudo e perceba que viver é muito melhor, que eu valorize mais as pessoas e os momentos com elas, que eu ame mais e ache menos motivos para desgostar, que os meus objetivos sejam menos egoístas e que as minhas forças sejam canalizadas para o certo, aquilo que fica, é eterno.

Por fim, e não menos importante, agradeço ao doador de toda a vida, Jesus Cristo, por esse e por todos os anos e não apenas pelo que tem me dado, mas pela pessoa que tenho me tornado.

Ouvi uma frase essa semana e ficou marcada na minha mente, e vou terminando por aqui...

Quando você fizer um pedido a uma estrela, quem você é faz a diferença. (Peter Mclaren)


sábado, 6 de agosto de 2011

Quando os ventos de mudança sopram...

...umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento.
(Érico Veríssimo)

Simples assim. As vezes a gente muda. Muda o cabelo, o estilo, o visual, as cores da casa, do quarto, as coisas de lugar e muda também coisas invisíveis, aquelas coisas. Muda os pensamentos, a maneira de ver as coisas, muda a opinião, a situação, a opção, os sentimentos.

E porque a gente muda?

A grande questão se encontra em quando a gente não muda. Gente que passa a vida igual, ainda não entendeu que a mudança é necessária, afinal de contas, a gente não pode crescer e continuar esperneando e tomando mamadeira, ou pode?

A mudança simplesmente faz parte da natureza humana.



As vezes eu me deparo com situações, em que fico me remoendo tempos e tempos sobre elas. Escolhas. Já me perguntei um milhão de vezes se escolhi a profissão correta. Outras  três milhões sobre alguns relacionamentos que tive e ainda outras muitas sobre várias coisas

Dias atrás, resolvi por bem dar um tempo do Twitter, não sou nenhuma maluca ridícula que sai por ai falando e cometendo "Interneticídios", mas cansei. Uma coisa besta, não? Mas pra mim foi consistente, útil e saudável. Não saí por ele, ou aquele, ou por determinado motivo. Só percebi que estava me tomando tempo e privacidade demais, as vezes escrever o que vem a telha não é tão legal assim.

Internet e redes sociais são lugares pra dar a cara a tapa, como se diz por ai. Resolvi fazer isso em menor escala. Isso não quer dizer que não volto, mas sim, que nesse momento estou satisfeita sem ele. Sem maiores tragédias gregas.

Uma grande dor é avaliar e perceber que está errado e nunca mudar. Seja por medo ou outro qualquer motivo. 

A gente passa a vida se perguntando se está fazendo certo, mas esquece que a vida é feita de escolhas e principalmente de erros e acertos. Até quem não escolhe, escolheu isso!

Me perguntando quando as coisas vão acontecer, quando?? Sem perceber que a vida já está acontecendo hoje, pra ser mais exata: agora.

Passei um tempo me questionando sobre algumas coisas, escolhas e mudanças que a vida me trouxe e como reagi a cada uma delas. No fechamento desse balanço, contabilizei um bocado de coisas que gostaria de ter feito de outro jeito, outras que me dei por satisfeita e outras que acredito terem sido certas, momentos de dúvida e de lágrimas e sorrisos. Mas acima de tudo eu estou aqui, pronta pra mais e aceitando que eu mudo e que eu preciso mudar. Mudança está na essência de quem mora nessa terra.

O privilégio de continuar o mesmo é de Deus, eu preciso me recriar todos os dias.

Eu não sei por quantas mudanças, dores, desapontamentos, decepções e momentos difíceis eu vou passar, mas eu quero e persisto em ser feliz, em viver o máximo que eu puder, mesmo que pra isso eu tenha que mudar.


terça-feira, 19 de julho de 2011

O poder da calça jeans

Meu avô em sua mineirice tem o hábito de dizer: Menina, vc não tira a calça JEANS do corpo! E ele lê tudo como é, ou seja, literalmente JEANS. Sempre acho engraçado.

Pode faltar de tudo no meu guarda roupa, mas a bendita da calça jeans, não.

Combina com tudo, inclusive variedade de sapatos, sandálias e cores. É quase um acessório.


O dia que acordo sem inspiração para me arrumar, isso significa: Todos os dias! Vou direto na calça jeans, com qualquer coisa e o dia que levanto no pique, também!

Isso não quer dizer que renego o resto do guarda-roupa, apenas dou a devida importância a quem merece! Haha

Fico observando a evolução dos vestuários femininos e se tivesse nascido nas épocas dos vestidos rodados e diga-se de passagem, pesadíssimos! Acho que sofreria muito. Pediria pra morrééééé...

É fato, que jeans não é tecido e nem vestuário pra quem mora em país tropical como o nosso, e claro que é made in EUA, ops, mais ou menos!

Dá só uma olhadinha...

Jeans ou calças de ganga é o nome de um tipo de calça. O jeans começou a ser fabricado em 1872 em Nimes, na França. O nome "tecido de Nimes" acabou sendo abreviado por apenas "denim". Em princípio, quem importava esse tecido era a Itália, para confeccionar os uniformes dos marinheiros que trabalhavam no porto de Gênova. Esses genoveses, chamados de "genes" pelos franceses, acabaram também ganhando créditos dos norte-americanos, que o apelidaram de "jeans". Levi Strauss foi quem criou o jeans nos Estados Unidos no ano de 1853 para atender garimpeiros da Califórnia. Os rebites de reforço foram patenteados em 1873 por Levi Strauss e Jacob David. Tachinhas de cobre foram utilizadas para dar uma maior resistência aos bolsos que não estavam resistindo ao peso colocados neles. Os pontos críticos das calças foram reforçados, tornando-as mais duráveis.


Na sequência, como muitos sabem, a grande pioneira na fabricação de jeans é a Levi's, mas só na década de 70, o famosíssimo Calvin Klein bota a calça jeans nas passarelas e o bang! acontece.

Continuando...
Mas o que seria de nós, pobres mulheres, sem uma calça jeans no armário??

Em minha rélis opinião, a calça jeans abriu portas e fez parte da transformação de mulheres que só ficavam em casa, em mulheres que usam calça, assim como os homens, e tem capacidade de fazer as mesmas coisas. Isso não é machismo, é apenas a idéia, de que a mulher começou a achar que tinha capacidade, que tinha força e se vestiu para isso. Com muito mais classe e beleza, claro!

Machismo foi ter queimado sutiã! Isso sim! Uma peça útil, bonita e conveniente! Da onde as feministas da época tiraram a idéia de queimar um dos vestuários mais femininos e sensuais que conheço?? Mas, acho que isso dá outro post...

Quando uma mulher põe uma calça jeans, daquelas poderosas, que modelam cada curvinha do corpo, encobrem imperfeições e desenham silhuetas é impossível não se sentir poderosa. E isso qualquer um percebe, inclusive, os homens, em que a calça jeans não tem o mesmo efeito (com algumas poucas exceções, rs). Essa coisa de homem com calça mais apertada que tudo não cola, sorry!


Eu sei que é a calça jeans que denuncia os quilinhos e gordurinhas extras as vezes, mas imagina além do sobrepeso ter que usar uma saia ou um vestido que te faz sentir vestida de capa de botijão o tempo todo... nada contra essas roupas, mas bom senso vale a pena!

Enfim, parece coisa de gente louca escrever um post sobre calça jeans, mas eu simplesmente as adoro. Ao contrário do que muitos pensam usar calça jeans não é pecado e nem diminui a feminilidade das mulheres, mas ao contrário, nos faz sentir poderosa! E quem não quer uma mulher que se sente poderosa e linda todos os dias? 

Parece um pouco consumista e superficial, eu sei!

Mas as vezes, nós mulheres, ou melhor, nós seres humanos, precisamos de momentos consumistas e superficiais pra nos sentirmos vivos. Futilidade e idiotice as vezes faz bem! E ahhh traz poder! 

Viva a calça jeans!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Caçando borboletas


E a história é assim:

Era uma vez uma linda Margarida branca, que se achava a pior das flores, pois acreditava não ter cor, ser branca era muito sem graça.
Ela olhava as outras flores, todas coloridas, o sol, a lua, estrelas e tudo que existia tinha muita cor.
Menos ela.
Ela choramingou a todos que encontrava.
Um belo dia, várias borboletas apareceram no jardim e todas as flores começaram a se exibir, menos a Margarida. Todas desejavam que as borboletas posassem sobre elas, mas a Margarida não acreditava ser possível que acontecesse isso com ela.
Em dado momento, uma bela e muito colorida borboleta pousou sobre ela e todas as flores do jardim ficaram observando chocadas, inclusive a Margarida, que de pronto perguntou:
- Por que eu, linda Borboleta? Sou uma flor tão sem graça!
E a borboleta lhe disse:
- Porque o seu branco é simplesmente lindo! Tudo combina com ele. Ele realça minhas cores e eu fico mais bonita ainda.
A Margarida ficou muito contente e percebeu seu valor.


Essa história é um breve resumo de um livro infantil, que li aos meus alunos, do qual honestamente não me recordo o nome e que resolvi compartilhar aqui, depois de um bom tempo sem escrever.

Fiquei analisando o motivo da minha falta de inspiração nesses últimos dias e percebi o quanto a falta de sensibilidade atrapalha. 

Hoje fui ao médico com meu pai e lá havia um casal de senhores que passariam com o mesmo médico, claro que me chamou atenção o fato de estarem envelhecendo juntos num tempo em que nada dura muito, mas aconteceu uma cena, e essa sim, meio subliminar, contida, rápida e de extrema sensibilidade foi o que realmente me cativou. 

A sala de espera estava lotada e esse casal estava sentado um ao lado do outro, quando chega um outro senhor e mais que rapidamente o senhor com a esposa dá lugar a ele. A esposa lhe lança um olhar terno e um sorriso meigo e naquele momento eu simplesmente consegui captar a admiração, o respeito e o amor intrínsecos, mesmo em um gesto tão pequeno e entender que grandes construções são feitas de pequenos tijolos.

A beleza externa vai embora com o tempo, as marcas do tempo são implacáveis, mas aquilo que é construído, toda a cumplicidade e o valor do outro e de uma relação não acaba de um dia para o outro.

O que tem a ver um livro infantil sobre uma Margarida e um momento, de certa forma insignificante, de um casal de idosos?

Simples. Os dois se baseiam em pequenas coisas. Na percepção de pequenos momentos, do valor de si, de quem está ao redor e na beleza singela das coisas e isso as torna grandiosa.

Tenho a tendência a me ater a grandes realizações e na verdade, todos nós ou a grande maioria também faz isso. Coisas, pessoas e momentos grandes são importantes. São e devem fazer parte da vida. Mas perder o olhar sobre o que foi construído pode nos tornar insensíveis.

Quando conseguimos um bom emprego ou encontramos o grande amor da nossa vida, ou qualquer outra realização, nós as vezes perdemos a essência de tudo o que passamos, dos pequenos momentos, dos detalhes de como conseguimos ou nos tornamos determinada pessoa, e as vezes nos perdemos, porque na verdade somos feitos de pequenos detalhes.

Talvez, as pequenas coisas que fazem diferença na sua vida: rir até chorar, conversar sobre o tempo com um estranho na fila do banco, comer um chocolate no meio da tarde, lamber a vasilha do bolo, caminhar numa praça com um fone de ouvido, assistir a um filme bobo na Sessão da tarde, tomar um bom banho depois de uma dia estressante, dormir feito criança, acordar tarde num sábado, deitar na cama só para sonhar, ouvir música sem pensar em absolutamente nada, pegar um cinema numa terça a tarde, tomar sorvete e deixar cair na roupa, reencontrar pessoas, ficar com os amigos vendo TV, a primeira mordida numa bomba de chocolate e muitas outras coisas, tenham se perdido em meio a busca de alguma coisa.

Na verdade, eu acabei de listar algumas das coisas simples que fazem da minha vida um grande acontecimento e que dão sentido a ela. As vezes eu não percebo isso.

Não sei quais são suas pequenas coisas, meu caro leitor, mas assim como eu, deixo aqui o meu apelo para que você comece a percebe-las e talvez fazê-las mais  e mais vezes... Tem uma frase do Arnaldo Jabor que gosto muito, ela diz assim: 'Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento'. Que seja o melhor!

Não é preciso caçar borboletas, basta ser simples, perceber coisas simples e com certeza as mais belas, coloridas, instigantes e extravagantes borboletas virão no seu jardim. Quando menos se espera. A beleza simples, aquela que é real atrai os melhores olhares e constrói as mais bonitas e longas relações. 

Por fim, vou deixar um videozinho, nada para pensar, apenas pra apreciar, rir e achar graça... se você quiser!







sábado, 11 de junho de 2011

Via Láctea

Estamos naquela famosa data do ano o DIA DOS NAMORADOS, e mesmo estando solteira NÃO odeio o Dia dos namorados!

E nesse post quero falar um pouquinho sobre o amor, na verdade, o que eu entendo por amor.

Não pretendo dar conselhos e nem falar como expert! Os mais vividos tem muito mais experiências e gabarito para isso!

Quando era criança e estava aprendendo a ler tive meu primeiro contato com poesia por meio de um papel que encontrei no meio de uns livros, numa prateleira do armário da minha professora. Eu tinha 6 anos. E você deve se perguntar como me lembro disso??? Foi marcante demais para esquecer.

Quando comecei a ler o poema, que dá título a esse post 'Via Láctea' ainda errando sílabas e meio tropéga, sentei no chão e fiquei tentando desvendar o que queria dizer aquilo...


Via Láctea


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido 
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

                                       Olavo Bilac




Na minha cabeça infantil, me questionava: Estrela fala? Além disso algumas palavras do vocabulário ainda me eram um mistério... 

Mas enfim, depois dessa experiência esse poema passou a fazer parte da minha vida.

Hoje em dia, eu entendo que a capacidade de amar uma pessoa é praticamente uma loucura! Você sai de si, você vê o mundo de outro jeito, você olha o céu e as estrelas, fala com elas e vê tudo nos olhos de quem ama, mesmo em pleno silêncio.

Acho isso uma loucura... porque quando estamos amando, estamos nos arriscando e porque somos capazes de aceitar coisas, compreender situações e ter sensações que em sã consciência nunca teríamos. O outro é diferente da gente, age de acordo com seus valores, crenças e modos de pensar e quando amamos alguém, simplesmente amamos. Não tem como explicar ou dizer porque amamos. Simples, eu amo e pronto.

Vejo gente que a cada dia "ama um", que não suporta sua própria companhia e que se apaixona e desapaixona na mesma velocidade que a luz! Suspeito... Como alguém que não consegue ficar sozinho e na verdade não suporta a si mesmo pode realmente amar alguém? Isso é egoísmo e não amor.

Amor é tempo, é olhar, é simples, as vezes rotina, outras não, mas sempre, sempre amor, aquele que aguenta, suporta e consegue ver estrelas até no céu mais nublado.

Pois é, alguém que está sem namorado falando de amor, estranho, não?? Não! Tô aprendendo também!

Amor é aprender, aceitar, compreender, perdoar e pedir perdão, as vezes amar o outro é simplesmente dizer não, se afastar.

Há algum tempo passei por uma situação totalmente nova, que seria uma grande mudança na minha vida e na vida de todos os que convivem comigo e o amor falou mais alto e eu disse não! Por amor próprio, por amor a quem me amava e por amor a quem naquele momento tentou consolidar o amor que sentia por mim.

Foi difícil, mas vejo que tomei a decisão correta. O amor é assim e identificá-lo nas situações é essencial, o verdadeiro amor nos faz ser feliz e com certeza que o outro também seja!

Esteja você ouvindo estrelas por alguém (ou não!) seja feliz!  Não fique amargo por isso, ou aquilo. Não tem uma namorado? Eu também não! Mas tenho outras milhares de coisas que me completam e me fazem feliz. 

Em assuntos de amor ninguém é graduado, mas o melhor é viver e ir vendo a vida passar... no fim olhar para trás e pensar: Valeu a pena!

Então um FELIZ DIA DOS NAMORADOS a todos e que cada um de nós tenha a rara e ótima oportunidade de ouvir estrelas!



quarta-feira, 1 de junho de 2011

De volta ao planeta dos macacos

Nos últimos meses e principalmente semanas estamos sendo bombardeados com várias notícias e protestos, todos referentes a legalização disso ou daquilo, em suma, entramos numa fase onde tudo é muito relativo e aberto a debates.

Dias atrás ouvindo uma música 'De volta ao Planeta dos macacos' consegui me encontrar...


Sei que esse texto inicialmente pode parecer homofóbico, mas pode ter a certeza que não é!

O grande embate nos altos escalões do governo e nas ruas é a PL 122 que criminaliza quaisquer atos de preconceito e/ou homofobia.

Sou contra a aprovação dessa lei.

Não vou utilizar como base para minha opinião a religião ou minha crença pessoal, mas sim meu direito garantido por lei, é a nossa CONSTITUIÇÃO FEDERAL BRASILEIRA, promulgada em 1988 e que garante a qualquer brasileiro o direito de liberdade.

Sou a favor da liberdade de ir e vir garantida por lei, da garantia de expressão livre e acredito e cumpro meus deveres também.

Tenho o direito de discordar, mas o dever de respeitar.


O grande problema é que nós, brasileiros, chegamos a um ponto que as pessoas acreditam que a criação de novas leis vai resolver velhos problemas, e não pensam que na verdade, as leis que já existem é que devem ser cumpridas.

Fico estarrecida com a Inglaterra, que com uma Constituição muito menor que a nossa cumpre em maior quantidade o que a mesma reza.

E por que?

Muitos devem estar pensando: Não compare a cultura inglesa a nossa! Mas na verdade me questiono sobre quem é o ser humano, do que ele é capaz? E principalmente o que nós brasileiros estamos nos tornando e para onde estamos indo...

Nós estamos num ponto de que tudo precisa ser lei! Parece que a sensação de segurança só "aumenta" se for lei. Mas na verdade nós temos leis, e muitas! O que acontece é um conjunto de fatores: a falta de conhecimento sobre as leis, uma educação que tenta educar, mas que na verdade só aliena, a sensação de segurança, a falta de empenho do governo em trabalhar pelas leis existentes e em pról do povo, entre outros.

Quando nós criamos leis que protegem esse ou aquele grupo, não pensamos que na verdade estamos fazendo isso em decorrência do resto da população.

Todos nós, perante a própria Lei, somos iguais e por isso podemos ser diferentes.


No Brasil nós temos Lei pra todo gosto. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Estatuto do Idoso, Lei de proteção ao meio ambiente, Lei Maria da Penha, Código de Trânsito e mais uma pilha de livros, que quem estuda Ciências Jurídicas pode me contar!

E achamos que tudo isso faz alguma diferença, mas até agora sejamos honestos: mudou alguma coisa? Melhorou alguma coisa?

Eu não vejo.

A percepção do que tem por trás de cada "criação jurídica" não nos ocorre. Temos um bando de políticos tentando se promover em cima de uma parcela da população, por que quem consegue aprovar algum Projeto de Lei tem voto garantido na próxima eleição.

O político que conseguir fazer valer um terço das leis que temos, esse merece meu voto.

Sou a favor do direito de todos os brasileiros, independente de cor, raça, sexo, opção sexual ou seja lá o que for. Mas não me conformo com a idéia de que somos tão selvagens e não conseguimos conviver e nem ao menos fazer valer as leis que nos cobrem e nos garantem: LIBERDADE.

Existe mesmo necessidade, ou o que nos falta é senso de identidade e respeito?

As leis já existem, cadê os políticos que na verdade precisam criar mecanismos para que elas funcionem e só nos fazem passar vergonha com suas macaquices e na verdade sublinarmente nos chamam de idiotas?


A Educação do nosso país está se desfacelando, devido a uma enorme quantidade de motivos, isso inclue os currículos, que igualmente são elaborados pelo alto escalão e vive mudando, devido a sua descontextualização, a falta de idéia e de planejamento e isso prejudica a formação cultural, profissional, social e econômica da nossa população e ainda me vem com Cartilha contra a Homofobia. O que???

A escola precisa trabalhar para que o aluno respeite TODA A FORMA DE VIDA, e não ensinar os alunos que essa ou aquela pessoa é "mais especial". Todos somos iguais, como brasileiros e todos podemos ser diferentes e devemos ser respeitados pelas igualdades e diferenças.

Acho que daqui a algum tempo vamos ter Estatuto de Proteção as Loiras Oxigenadas (ou não), Lei que protege aos mais cheinhos, mais magrinhos, de cabelo com progressiva e por ai vai! Parece engraçado, mas na verdade é muito triste. Estamos achando normal criminalizar tudo, ao invés de trabalhar as diferenças como forma de expressão e de direito de concordar ou discordar, mas com o dever de respeitar, compreender e conviver.

Que país é esse??



Fico indignado com a selvageria que começa no governo e se espalha pela nação... me sinto cada vez mais caminhando a largos passos de volta ao Planeta dos macacos!


terça-feira, 17 de maio de 2011

A pipoca - Rubem Alves

Arrumando minhas coisas achei no meio da bagunça um livro meu de Rubem Alves e a página marcada tinha um texto dele que gosto muito, muito mesmo, então resolvi compartilhar aqui, onde muitos podem ter acesso, já que atualmente a leitura de livros de papel tá virando coisa rara. Vale  a pena conferir, até pra quem não tem hábito de leitura!



A pipoca
Rubem Alves

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.

Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.

Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas.

Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.

Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...

A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.

Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á". A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...

"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".