quinta-feira, 24 de maio de 2012

Não tenha tempo

Como sempre, as minhas inspirações vem nas horas mais inapropriadas possíveis. Mas de tantas coisas que já tive vontade de escrever e acabei não fazendo, essa sobreviveu a mim. 

Todos os dias, alguém diz, ou faz com que subentendamos que precisamos ter tempo e se alguém me disser que nunca foi cobrado, não acredito. Tempo pra família, tempo pra Deus, tempo pra si mesmo, tempo pros amigos, tempo livre, tempo pra comer em paz, tempo pra dormir, tempo pra isso,  pra aquilo, tempo, tempo, tempo....

Ter tempo acabou se tornando uma cobrança e não apenas uma compreensão de administrar o tempo, ou como na Bíblia é descrito: remir o tempo. Você precisa se virar e dar conta de tudo. Você precisa ter tempo.

Dias me vejo escrava disso, desse ideal (será?) de ter tempo pra tudo, ficar bem e fazer com que todos se sintam bem com minha organização.

Confesso que sou péssima nisso muitas vezes. Não é por mal, é apenas porque dar conta de tudo é realmente impossível ou no mínimo estressante.

O tempo é incontrolável, rápido e principalmente: precioso. A gente perde tempo com tanta coisa, sabe aquelas que no fundo sabemos que são desperdício, mas ainda assim a gente insiste? Pois é. Essas.

Em alguns países europeus existe um movimento interessante "Slow Attitude", que basicamente consiste em ter uma atitude que valorize mais o ser do que o ter, algo como atribuir mais qualidades ao tempo e não apenas fazer com que ele renda infinitamente, na minha visão, fazer com que o tempo seja melhor aproveitado e em coisas importantes.

Resolvi escrever esse texto como uma forma de protesto. Um protesto a uma forma desencontrada de vida, que exige demais e na verdade não gera qualidade.

NÃO TENHA TEMPO! 

Não tenha tempo pra gente que egoísta, que só pensa em si mesmo.
Não tenha tempo pra ficar pensando nas coisas que não deram certo.
Não tenha tempo pra ficar remoendo os sonhos que não realizou.
Não tenha tempo pra se importar com gente que fala de mais e faz de menos.
Não tenha tempo pra falar dos outros, principalmente se você não é um exemplo.
Não tenha tempo pra passar o dia fuçando a vida alheia, e se isso for em redes sociais, então... vá cuidar da sua!
Não tenha tempo pra justificar seus erros.
Não tenha tempo pra agradar a todos. Isso é humanamente impossível.
Não tenha tempo pra discutir.
Não tenha tempo pra complicar.
Não tenha tempo pra odiar.
Não tenha tempo pra sentir inveja.
Não tenha tempo pra causar problemas a você e a com quem convive.
Não tenha tempo pra coisas nas quais você não acredita, valores que não preza, ideais que não são seus e atitudes que discorda.

Talvez, essa lista poderia ser muito maior, mas num tempo em que as muitas pessoas perdem o tempo de suas vidas buscando uma autoafirmação, que chega a ser medíocre, "tá de bom tamanho".

Acredito sim, em organização do tempo, em valorizar o que é importante e tudo mais, porém saber filtrar o que é importante, o que vale a pena, o que nos faz felizes, mais completos e que contribua não apenas para a construção do nosso próprio eu, mas que seja mais um bloco para a construção dos outros e do mundo é fundamental.

O tempo passa. E como, por isso é importante não ter tempo.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Saudade

Hoje é dia da saudade. Como se saudade tivesse que ter data! Saudade dá todo dia, toda hora e em qualquer lugar. Do que? De várias coisas, fatos, pessoas, músicas, sons, lugares, cheiros, sabores e de tantas outras coisas que só quem sente sabe descrever. Ou não. Eu não acredito que saudade possa ser descrita. Acho que ela foi feita pra ser sentida mesmo... 


Pelo menos pra mim.


Nesses meus poucos anos de existência (e experiência!) não entendo porque tanta gente tenta descrever esse sentimento. Na verdade a palavra SAUDADE  só existe em nosso idioma, nossa Língua Portuguesa, essa caixinha de palavras e segundo o dicionário significa: "Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local e coisa distante, que se deseja ver ou voltar a possuir. Nostalgia". Acho pouco, acho pobre.


Saudade pra mim é aquele sentimento que começa pequeno, como se faltasse algo, um pedacinho, e as vezes parece algo que sufoca, como mãos te estrangulando, um nó no estomago, uma falta de alma, ou a falta dela. Sei lá. Divago.

Saudade do amor perdido, de como era, do que foi e não é mais, da família, do cachorro, do papagaio, da cama, do cheiro da roupa, do perfume, do verde, do cinza, da praça, da praia, do sol, da chuva, do barulho, do silêncio, , da voz, do telefone, da solidão, da companhia, do passado, do exato momento, de coisas que não viveu, do que está ou não.

Uma vez, faz um bom tempo, passei uns dias identificando uma saudade, loucura, né? Dias tentando perceber do que sentia saudade. Era uma besteira. O cheiro do amaciante de roupa, que tinha sido trocado. Quando senti esse cheirinho de novo, foi o topo!

Grandes saudades? Eu tenho! Minha vó. Ranzinza, dramática, curiosa, preocupada, exagerada, intrometida, reclamona, , mas a minha vó. Aquela que me dava o dinheiro do doce escondida, que passava o dia na cozinha só porque eu acordei com vontade comer polenta, que me defendia das surras, que me deixava demorar no banho, que sempre fazia minhas vontades, e assim vai...

Enfim, se cada um parasse para escrever tudo o que tem saudade ia levar tanto tempo que a vida teria que parar.

Saudade é coisa que a gente junta, guarda todo o dia um bocadinho numa caixinha ou é desatada mesmo, incontrolável, daquela que vaza pelos olhos, sabe, né? Ahhh, e se não sabe, desconfio! Desconfio de gente que não sente saudades, que não chora por causa dela de vez em quando.

Passar a vida lamentando a saudade, não, por favor, ninguém merece! Mas ter saudade é saudável (péssimo trocadilho!), faz parte de valorizar as pessoas, as coisas e os fatos, e melhor, as vezes é a prova de que a vida está sendo vivida.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Previsões para 2012

Uma bola de cristal, um baralho de Tarô, mapa astral, runas, borra de café, leitura de mão, vidência, macumba e todos os tipos de trabalhos que pudessem me responder uma simples questão: Como será meu futuro?

Talvez, todos os dias você se pergunte sobre como será o amanhã, mas a cada fim de ano essa pergunta soa quase como um grito.


Quem não quer saber o futuro? Namoro? Casamento? Filhos? Emprego? Família? Carro, casa, cachorro, papagaio e praia? Vida? Morte?

Opa, eu quero!


Mas olhando nesse caleidoscópio, o qual até aqui se mostra nosso futuro, será que sabê-lo vai me trazer que tipo de sentimento? Alegria, amor, felicidade, paz, ódio, tristeza, raiva, rancor, prosperidade, ceticismo, fé ou talvez a sensação de fatalidade. É isso mesmo. A crença de que a vida é um círculo fechado, fatal e que possui apenas um foco. Afinal de contas a única certeza que se tem na vida é a morte e se você e eu sabemos quando ela virá, portanto é só esperar, como? Isso nós já descobrimos. Agora “venha a mim”.

A segurança que acreditamos ter em nossa aparente estabilidade contanto ao futuro está garantida, mas e daí? 

Vejo todo dia na TV e ao meu entorno gente morrendo, nascimentos, desastres e milagres e o que muda na minha e na vida da grande maioria da humanidade? Nada. Nós sabemos que tudo isso acontece e vai continuar acontecendo, mas nos mantemos em nossas vidinhas habituais. 

Aplico a mesma ideia ao futuro. Do que me adianta viver a vida pensando no futuro, sentindo o futuro, planejando o futuro, chorando o futuro, comendo e defecando futuro. A gente sabe que ele vem independente da minha mediocridade e mesmo se por um passe de mágica eu o visse, fatalmente ele viria e será que minha maneira de lidar comigo e com as pessoas mudaria? Duvido.

Hoje em dia é moda ser espiritualizado... meditar, transcender, saudar e seja lá que expressão é possível usar, tudo com o objetivo de mudar atitudes, certo? Errado. A maioria das pessoas busca acalmar a incerteza interna sobre o seu próprio amanhã, essa coisa de saber sobre a humanidade é balela.

Isso prova a minha teoria de que saber o futuro não seria uma grande mudança na vida de ninguém, ou pelo menos da grande maioria. Veríamos pessoas surtadas, tentando aproveitar de tudo ao mesmo tempo, outras se deixando levar e ainda outras sem saber o que fazer com as informações sobre si mesmas. Nós, humanos não conseguimos lidar nem com o presente que vemos, imagina com o futuro que não conhecemos.

As oportunidades de nos construirmos seriam nulas, porque do jeito que somos todos bitolados, viveríamos uma irreal expectativa de momentos e não de uma constante, apesar deles. E não será isso que é ser feliz? Estar feliz apesar dos pesares da vida? Seríamos mais egoístas do que já somos, mais exagerados e dramáticos, mais tudo, inclusive, infelizes.

Eu não sei se você pensa muito ou pouco sobre isso. Com certeza, por mais que eu e você não assumamos, algum tempo é dedicado a isso. Inútil, claro.

O meu futuro quem faz sou eu, as escolhas são minhas e junto com elas todas as conseqüências.  O tempo faz parte, mas o nosso tempo aqui eu não sei e nem quero saber! Prefiro deixar pra quem entende do assunto... Deus, essa parte é com você, e é Ele quem me deixa escolher!

Sentido da vida, tem gente que passa a vida procurando isso ao invés de vivê-la. A cada dia temos a nossa disposição viver, ou não.

Olha, honestamente, eu não sei o que será do meu futuro e muito menos do seu. Na verdade sou obrigada a confessar que nem sei o que vai acontecer no próximo TIC TAC do relógio. Mas em meio as emoções de final de ano e tantos desejos que “2012 seja o melhor ano da sua vida” e todas aquelas coisas que naturalmente desejamos, eu também desejo.

Desejo aprender o que fazer com a minha vida todos os dias, desejo aprender a amar mais as pessoas, a ser menos ansiosa, a pensar menos e fazer mais, a obedecer mais, a desejar de coração sempre, a fazer tudo como se fosse a primeira e a última vez, a ser mais honesta comigo, a dizer sim, a dizer não, a ouvir, a falar, a ser exemplo, a refletir, a agradecer, a orar, a pedir perdão, a ser humilde, a assumir meus erros e acertos, a não reclamar e a simplesmente parar de questionar, valorizar o tempo e tudo aquilo que vem com ele. A vida não é uma prova, o mérito não está em acertar, mas em aprender mesmo assim.

Desejo a mim e a você.

Muitas interrogações, eu sei! Comecei a escrever e depois quando li até me assustei, mas aí me lembrei daquele velho ditado: Não são as respostas que movem o mundo, mas acho que diferentemente do ditado, são as boas perguntas que movem a vida e na maioria das vezes a falta de fala e a sobra de ações.



sábado, 24 de dezembro de 2011

Em alguns momentos

Véspera de Natal e todo mundo anda por aí exalando sua "Natalice", mas não, não, não vou escrever sobre a data. Não que ela não mereça ou não seja digna disso. Pelo contrário. Mas confesso, não sou mais uma daquelas que quando chega o Natal entra num clima super e vira Mamãe Noel. Gosto e comemoro a data, mas penso de outra forma. Quem sabe ainda escrevo sobre isso.

Em alguns momentos da vida, simplesmente a gente começa a enxergar algumas coisas, cegar outras ou ainda conseguir ler outras, mas o interessante disso é perceber como a gente chega nesse ponto e ver que se o Pokemón evolui, você também pode e ainda perceber que em muitas coisas você ainda pode sentir-se como uma criança, adolescente ou uma velha, coisa que ainda não sou, mas as vezes, acontece. Você ainda é capaz de sentir coisas as quais não aguardava mais ou nem sabia mais exatamente como era.

E isso não é nostalgia não!

É apenas descobrir coisas novas sobre si.

Em alguns momentos a gente se pega pensando, sonhando, falando baixo, assustando e assustada e principalmente deslumbrada.

Em alguns momentos a gente percebe que muitas situações você consegue não apenas saber o que quer, mas o que não quer também e principalmente: você consegue fazer ou não, dizer ou não, sentir ou não, ir ou não, gostar ou não, experimentar ou não, comer ou não, olhar ou não, independente dos outros e das situações, honestamente você sabe. Não como apenas uma sentimento, mas como um pensamento peneirado pela razão, você já entendeu que aquilo ou aquela pessoa te faz muito bem ou muito mal e não insiste mais ou se entrega de vez.

De certa forma, parece um tanto confuso, mas sei que alguns entendem o que digo.

Na vida e em alguns momentos a gente precisa entender e saber quais os temperos necessários para aquele momento, como aquela determinada foto precisa ser tirada e em outros a gente precisa entender que não vai adiantar, apenas aconteceu... e vai continuar acontecendo, sem que você controle isso.

Ficar visualizando a vida antes que ela aconteça? 

Eu faço isso demais! Mas em alguns momentos eu preciso parar. Quem muito vê, pouco faz. Não que essa análise das coisas não seja útil ou necessária, mas as vezes olhar as coisas "de fora" não resolve, ou melhor: não me deixa feliz. Eu quero ver de dentro, quero sentir.

Em alguns momentos a singeleza dos momentos são mais bonitas, elegantes, importantes, excitantes e belas do que qualquer grande acontecimento no mundo. Talvez porque grandes momentos já trazem intrínsecos a si um invólucro de cores e formas definidos, enquanto pequenas coisas nos trazem uma oportunidade sem limite de dar o nosso sentido, cor e forma, cheiro, sabor. 

Em alguns momentos a gente se mostra bom, outros, mau, bonito e feito, eu e você, máscaras? Em outros, se pudesse nem nos mostraríamos, tamanha a falta do que mostrar, ou o excesso disso. Utilizando a filosofia caminhante pelas redes sociais "cada um tem de mim o que merece", no fundo, ainda acrescentaria "cada um tem de mim o que merece e o que naquele momento sou capaz de ser e oferecer".

Em alguns momentos a capacidade de doar-se parece não caber dentro de si, vaza a cristalidade dos olhos, como diria o poeta e quem sabe essa capacidade não seja o real sentido de ser humano, quem se fecha demais vira pedra, daquelas duras, escuras, sem forma.

Diamantes, facetas, brilho, lapidação, tesouro, brilho, escavação, garimpo, construção, reforma, demolição.

Em alguns momentos somos cada uma dessas palavras, todas elas juntas, num terremoto de humanidade, que por vezes nos atinge. E como é bom ser humano, por mais perplexo que seja, é bom ser quem somos e saber que a gente pode ser outro e outro e outro, tudo depende do momento e que cada mudança é peculiar ao nosso estado. Umas são para agora, outras não e ainda algumas podem ser para sempre.



Em algum momento, talvez, eu pense tudo diferente.




domingo, 30 de outubro de 2011

Entre vilões e mocinhos

É realmente muito louco ficar em frente a TV querendo matar a vilã ou o vilão da novela ou do filme. Desenvolvemos um ódio tremendo por esses personagens., ou não.

Quem esqueceu Nazaré Tedesco (relembrada muito bem pela personagem da Christiane Torloni, essa semana em "Fina Estampa"), ou Laura Prudente da Costa, a Cachorra de "Celebridades", e por aí vai.... Sem contar os vilões dos filmes, seriados, desenhos e etc...







Confesso, que em vários casos, tenho vocação a torcer pelos vilões. Mocinho as vezes irrita!

Quer um exemplo? 

Se você acompanhou a novela "Paraíso Tropical" ou "Cordel Encantado" sabe do que eu estou falando... que bonzinhos mais chatos! Perfeição demais cansa as vezes, choração e melodrama estressa. Minha vontade era pegar  a gêmea boa e dar cabo dela e a Açucena então.... vamos queimar a flor! Eu gostava da Úrsula!

Tenho tendência a simpatizar com vilões que demonstram outros sentimentos e mocinhos também. Gente que pode ser odiar, mas também amar. Isso pra mim é humano.

A essa altura da leitura você pode estar se questionando sobre a minha opinião dos fatos, ou melhor, se perguntando: onde essa leitura me levará???

Sem grandes pretensões, na verdade, nos deparamos quase sempre com o protagonismo ou antagonismo, o bem ou mal, pra sempre ou agora, pra você ou pra mim e vários outros antônimos e expressões linguísticas que buscam expressar maneiras, personalidades ou estados.

Nascemos bichos, instintivos, sem habilidades sociais ou vínculos morais e passamos a vida aprendendo e construindo tudo isso. E uma das grandes facetas da vida humana é essa: aprender. Ninguém nasce sabendo, mas de acordo com as experiências vamos nos construindo, reconstruindo, quebrando, batendo soldando e andando em meio a estereótipos e criando o nosso.

Quando vejo os vilões e os mocinhos, fica fácil acreditar que todo mundo é um ou outro. Algo definitivo ou não. Mas na verdade convivemos numa vida de "ou" e "e". Somos muita coisa.

De acordo com nossa vivência vamos de certa forma abstraindo padrões, valores, moral e ética e aplicando em diversas situações, aí entra o relativo e na verdade a compreensão que somos vários em um só.

Temos dentro de si um mundo a parte. Repleto de coisas boas e aceitáveis e de coisas ruins e repugnantes.

Existem pessoas que passam a vida tentando ser alguma coisa, sem se ater realmente ao fato de quem são e que isso não é alguma coisa a ser debatida, contestada e sim vivida. Gente que passa a vida mostrando a cara "bruxa ou feiticeiro", desejando ser Branca de Neve, e gente que passa a vida princesa e príncipe, mas quer ser demônio. Capas que cada um cria para se proteger.

Somos o que fazemos. Rotina. Dia. Corriqueiro ou não. Idealismo não resolve os seus e nem os problemas do mundo.

É estranho pensar que existem pessoas que passam a vida sendo antagonistas de sua própria vida. Lutando contra si e não como numa luta constante entre "bem e mal", mas apenas mascarando uma natureza que impede uma real mudança, uma evolução, a protagonização.

De vilão e mocinho todo mundo tem um pouco, mesmo que você, ou eu, não assuma um ou outro lado...

Existe uma linha tênue dentro de cada um de nós e ela se expõe quando decidimos. A decisão é que faz de nós alguém, até o fato de não tomá-las nos expõe automaticamente a uma maneira de ser e viver. 

Errar??? É humano. Essa cada um de nós já escutou um zilhão de vezes, mas, pode acreditar: é verdade.

A grande sacada é perceber que apesar de toda a relativização das coisas: ética e moral vale pra todo mundo e que pensamentos ruins e coisas horríveis passarão por e em você, milhares de vezes você fará coisas das quais se arrependerá e que muitas outras vão doer em você e em pessoas que ama ( ou não!), mas existe sempre a possibilidade da reflexão, da mudança, do retorno, afinal de contas você não é um eterno mocinho, nem vilão.

Não há como fugir de alguns estereótipos, eles são muitas vezes arquétipos, e portanto imitações de algo ideal, mas se for pra ser assim, pelo menos que seja do seu jeito, do meu jeito, sem capas, mas sim reais mudanças e evoluções pra gente mais de carne e não que anda em cima de pedestais e tenta mostrar ao mundo o que não é, que assume posturas das quais não acredita e que vive infeliz, tendo momentos de prazer, mas acordam pela manhã e apenas veem o lixo que sobrou da festa e aquele acumulado, suas próprias mazelas e o quanto nada mudou e nessa hora muitos mocinhos e mocinhas se tornam grandes vilões pra si e pra outros.

sábado, 8 de outubro de 2011

Romance

Já se apaixonou por alguém e teve a completa certeza de que nunca seria uma relação que daria certo?? 

Você fica pateta, besta, boba, alegre, o coração dispara, fica tentando o tempo todo ser o mais normal possível, mas não tem jeito, jura que não é nada, se convenceu de que não, não, nãoo isso não é com você e nem pra você, mas mesmo assim não há quem te faça desapaixonar... 

As vezes o grande problema não é ser correspondido, mas sim a certeza de que a coisa "não vira".

Cheguei a conclusão que o romance está no que não acontece. No impossível, no entrave, no meloso, nas pequenas coisas que fazem tudo ter graça e você passar horas imaginando como será o dia seguinte, o momento seguinte, enfim, se toda a sua novela terá um gran finale.

Romance nas pequenas coisas, no presentinho bobo, na fala macia, na risada solta, no almoço junto, no doce dividido, nas diferenças, igualdades, nos momentos juntos, nos momentos separados, nas mensagens nada a ver, nos vocabulários que vão sendo criados, nas histórias compartilhadas, nas escolhas, nos toques singelos, na lembrança e na voracidade que tudo tem na hora que se deita na cama e os sonhos povoam a mente.




O que estou escrevendo pode não fazer sentido nenhum pra ninguém, mas pra mim tem muito sentido, tem sabor e tem batimento.

O amor não sobrevive só por ser amor. Sobrevive num cultivo diário, na rotina, no simples e porque não, no romance. Não esse romance hollywoodyano, mas um romance singelo, que se mostra devagar e permanentemente, sem afobação, mas com expectativa, com calma, mas com paixão.




Ainda não encontrei esse tipo de romance, por enquanto ainda acho graça, divago, mas eu acredito.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Tá valendo quanto?

O fim do ano se aproxima e com ele muitas coisas. Você começa a parar pra pensar em como foi tudo, como você está e se realmente valeu a pena.


E porque eu estou falando nisso? 


Nós nos acostumamos a avaliar se nossos objetivos, sonhos e metas para aquele determinado período de tempo foram cumpridos.


Em meio a tantas coisas a gente se esquece de perguntar: E eu? Quem sou eu em meio a tanta coisa?


Vivemos num tempo em que os dias, as horas, os minutos e os segundos passam correndo. A gente voa contra o tempo para conseguir dar conta de tudo, dar conta das responsabilidades, dos problemas, do trabalho, da casa, dos estudos, dos compromissos sociais, dos amigos e até mesmo do descanso. A gente desaprendeu a pisar no freio, não sabe mais parar e simplesmente relaxar. O "tempo que nos sobra" nos enchemos de coisa, mesmo que o compromisso seja descansar, a gente não sabe mais como fazer isso e acaba ficando pensando: o que vou fazer com esse tempo? Como vou descansar?




O tempo é uma medida que pode ser devastadora. Traz rugas, marcas de expressão, canseira, idade e várias outras coisas que podem ser desagradáveis. Mas o que causou tudo isso? Morrer de tanto rir? Experiências ricas? Cansaço de tanto fazer coisas boas? Doença pra morrer de amor? O tempo e suas marcas são o que você faz deles.


No fim do ano, até as empresas, privadas ou públicas, costumam fazer sua avaliação. Aquela institucional, sobre seu rendimento no trabalho, suas ações, seu comportamento, sua criatividade. Me pergunto: É possível se medir quem somos? É possível medir sua capacidade? Será que esse tipo de coisa não quantifica gente de carne e osso? Gente pode ser quantificada? E a grande pergunta é: Quanto você vale?


Cada um tem o direito de ter uma opinião sobre você, seu trabalho, sua maneira de ser, mas e quanto a sua opinião sobre você mesmo? A vida não é feita de outros, é feita de você em conjunto com outros. Quantas vozes ecoam na sua cabeça?


O seu valor é muito maior do que os 100% de qualquer avaliação ou de qualquer opinião de qualquer pessoa. 


Gente de carne e osso é muito mais complexo do que números, mais difícil de entender, mais cheio de facetas do que qualquer diamante e mais subjetivo do que qualquer texto de Sartre, Morin ou qualquer outro filósofo, psicólogo ou que doutor for. Até pra dirigir você faz exames quantitativos.


O hábito de ser avaliado, julgado, já se tornou realmente um hábito, participante da modernidade, do mundo contemporâneo e do capitalismo selvagem.


Olhando as situações por fora, você percebe que a necessidade de resultados rápidos em tempo curtos é cada vez mais valorizado, nós somos medidos conforme reagimos como máquinas. Quanto mais você se torna um computador, mais você vale. Afinal, o prazo é curto, a solução é pra ontem e o amanhã? Ahhh... esse eu nem sei se vai chegar ou se o infarto vem antes!

Eu realmente não sei como estão as coisas com você, quais metas você realizou, o que deu certo, o que não deu, quanto você rendeu no seu trabalho e se você deu conta da sua vida particular em meio a esse turbilhão de coisas, mas eu sei que não há medida, régua ou qualquer outra coisa que meça o quanto você vale e o quanto eu valho.


A vida é feito de momentos e não de números. Não importa a quantidade deles, mas sim a qualidade e a sensação que cada um deles te deu. Não desperdice, pois eles não voltam. Não deixem que passem, pois não se repetem e não se exima de cada doce e amargo momento da vida, eles fazem parte de quem você é e de quanto você vale.


Se precisar seguir: siga. Se for necessário voltar: volte. Se ainda precisar recomeçar: vá correndo! Você vale mais do que qualquer intempérie e o tempo? Ele passa e como passa!